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Academia Maranhense de Letras

José Louzeiro

Cadeira 25


Barraqueira do Areal

9 de julho de 2016

Cotidiano familiar e de pessoas simples de São Luís no início do século XX é lembrado em narrativas do escritor
Tela de Anita Malfatti retrata o cotidiano das vendedoras de frutas (Foto: Reprodução)

Tela de Anita Malfatti retrata o cotidiano das vendedoras de frutas (Foto: Reprodução)

Tia Rosinha era uma negociante conhecida como “Barraqueira do Areal”, especialista em garantir vendas a prazo para os “bebuns” mais corajosos, que sabiam beber e pagavam o que bebiam.

A quitanda, que também vendia frutas, ficava no Areal (atual bairro Monte Castelo), debaixo de umas grandes árvores chamadas barrigudeiras, porque eram grossas.

E assim era Rosa com seu bonito visual, sempre preparada para uma festa que nunca houve porque os parentes tinham inveja dela por ser bonita e desinibida.

Pelo que eu sabia, sem dizer nada a ninguém, Tia Rosa vivia “imperectada” e tinha vários namorados.

Preocupação

Papai Aproniano tinha muita preocupação por ela. Tia Rosa era barraqueira, mas quase não ia à barraca, deixava nas mãos de terceiros e ia lá só para conferir a féria.

Tia Rosa destacava-se entre as irmãs por ser namoradeira. Em geral, tinha de três a cinco namorados permanentes.

Meu pai Aproniano tinha raiva de Rosa quando se defrontava com seus namorados que não gostava. Em compensação, adorava como eu, Tia Rosa do Areal, onde ficava sua quitanda. Nos fins de semana a tia querida desenvolvia um trabalho de festas que muito agradava a minha mãe Mundiquinha e fazia meu pai Aproniano detestar. l

José Louzeiro é escritor, jornalista, roteirista e membro da Academia Maranhense de Letras