Artigo do Ocupante

Falando as coisas como elas devem ser faladas

Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel

28 de junho de 2022

Ontem fiz uma postagem em minhas redes sociais e recebi uma grande quantidade de comentários, incrivelmente todos favoráveis ao que eu havia dito.

Comentei sobre a mentira descarada proferida pelo ministro Luiz Roberto Barroso sobre o voto impresso, onde ele dizia em uma palestra fora do Brasil que os propositores desse tipo de voto pretendiam retroceder ao tempo da contagem pública e manual dos votos, o que não é verdade, o que configura uma mentira deslavada do ministro.

Em minha postagem eu pergunto: “O que acontece quando um ministro da Suprema Corte de um país perde o respeito e a credibilidade por ser flagrado mentindo descaradamente?”

Uma das repostas que recebi foi a seguinte: “Às vezes gostaria de ver o AI- 5 funcionar dentro do STF”.

Eu então respondi da seguinte forma: “Vou comentar, mas não vou curtir seu comentário, pelo fato de que o que você diz é inadmissível. Um ato como o AI-5 vai de encontro a tudo aquilo que buscamos, que é um regime democrático pleno e atos como este são inaceitáveis em uma democracia. O que você deve buscar é a aplicação de nossa constituição. Nela há remédios para essas doenças, o problema é que o congresso não deseja usá-los!...”

A pessoa que havia postado o comentário sobre o AI-5, respondeu: “Valeu. Você tem razão e obrigado pela sua explicação. Citei o AI-5, para dá uma freada brusca nesse pessoal. Já chega”.

Outro comentário dá conta de que o ministro poderia estar se referindo ao texto de uma emenda constitucional, que modificada pelo relator, fazendo referência a contagem pública e manual de votos, foi rejeitada na Câmara dos Deputados. Para contrapor essa alusão, lembrei ao comentarista que o TSE há muito tempo legisla sobre matéria eleitoral, uma vez que o legislativo, ou não o faz ou o faz de maneira deficiente, e sendo assim, os ministros, principalmente o então presidente daquela corte de justiça, Luiz Roberto Barroso, poderia muito bem regulamentar o voto impresso para dar mais garantias e segurança às eleições e confiabilidade quanto ao resultado delas.

Acredito ser assim que se deve tratar assuntos tão sérios para nosso país. Com clareza, objetividade e correção, sem deixar que a paixão tome conta de nossos corações e nossas mentes. Devemos agir como quem corrige uma prova, com inteligência, sabedoria e de espírito aberto para tentar entender a intenção do postulante.