Notícias

Ano marcado por perdas

31 de dezembro de 2016

A literatura, música e o teatro maranhense perderam em 2016 muitas de suas personalidades

Ferreira Gullar faleceu em Dezembro (Foto: Divulgação)

O ano de 2016 foi marcado por muitas perdas. Importantes personalidades da história do teatro, música e da literatura deixaram saudades para o público e uma lacuna irreparável para a cultura local. Em maio, por exemplo, morreu, vítima de falência múltiplas dos órgãos, o escritor e poeta maranhense Evandro Sarney Costa, aos 84 anos. Ele era conhecido, principalmente, por sua forte vocação para as letras, onde obteve grande destaque na literatura. Membro da Academia Maranhense de Letras (AML), Evandro Sarney nasceu no município de São Bento e teve destacada participação na política, elegendo-se deputado estadual no período de 1954 a 1970, mandato a que foi reconduzido em diversas e sucessivas legislaturas.

Evandro Sarney integrava a Academia de São Bento e atuou como jornalista militante ao longo dos anos. Com vasta colaboração no campo, deixou um legado jornalístico na crônica, conto, artigo e ensaio. As produções poéticas do escritor e poeta foram publicadas em grande parte em jornais e revistas. Chegou a ser conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, cargo em que se aposentaria.

Papete faleceu em maio deste ano (Foto: Divulgação)

Ainda em maio, a música maranhense perdeu um de seus mais emblemáticos cantores e compositores. Papete, que tinha 68 anos e lutava contra um câncer de próstata, estava internado no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, e seu quadro havia piorado, ocasionando insuficiência cardiorrespiratória. O corpo foi transladado para São Luís e o velório ocorreu na Casa do Maranhão (Praia Grande). Muitos artistas foram prestar sua última homenagem ao maranhense.

Em julho, quem se despediu da plateia foi o ator e diretor Guilherme Telles, que tinha 51 anos. Morreu em decorrência de um enfisema pulmonar. Telles ficou muito conhecido ao interpretar o personagem Aurijane na peça teatral “Uma linda quase mulher”, mas teve diversos outros trabalhos. O velório aconteceu na sede da Pulsar Companhia de Dança.

Em agosto, outra perda: a cantora, compositora e produtora cultural Ângela Gullar, sobrinha do poeta Ferreira Gullar, que faleceu aos 64 anos. A artista lançou seu primeiro disco em 2009. Ao longo de mais de três décadas, Ângela construiu uma sólida carreira, integrando uma geração de cantores e compositores que buscavam uma nova identidade para a música popular maranhense.

Jomar Moraes foi uma grande perda para a cultura maranhense (Foto: Flora Dolores)

Também em agosto, foi para as páginas da história da literatura maranhense o escritor Jomar Moraes. O corpo do imortal foi velado na Academia Maranhense de Letras (AML). O escritor maranhense foi Bacharel em Direito, especialista em Comunicação Social e mestre em História. Considerado um dos mais importantes escritores contemporâneos, Jomar foi presidente da Academia Maranhense de Letras (AML) por 11 mandatos seguidos e contribuiu com a pesquisa de muitos escritores ao longo dos anos. Era proprietário de uma das maiores bibliotecas particulares do Brasil e com um acervo de cerca de 30 mil volumes. Tudo doado ainda em vida à Universidade Federal do Maranhão.

Em novembro, outra perda para o teatro. Desta vez, o renomado ator e teatrólogo maranhense Aldo Leite, conhecido fora do país pelas peças que atuou ou dirigiu. Aldo era formado em Teatro pela Escola de Comunicações e Arte da Universidade de São Paulo, em 1976, a mesma instituição onde obteve o grau de Mestre em Teatro, no ano de 1989. Foi professor adjunto do Departamento de Artes da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Sua vasta experiência teatral como ator, diretor e autor de numerosas peças teatrais o qualificava como uma das maiores expressões do fazer teatral no Maranhão, reconhecido e respeitado em todo o território nacional pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos.

No início de dezembro, o Maranhão e o Brasil perderam um dos maiores poetas de toda a história literária nacional: o poeta, ensaísta, crítico, dramaturgo, tradutor e memorialista Ferreira Gullar morreu aos 86 anos, no Rio de Janeiro, de complicações pulmonares. O maranhense desenvolveu um pneumotórax que se agravou para uma pneumonia. Suas últimas palavras foram à filha Luciana (Gullar teve outros dois filhos, Paulo e Marcos, este, morto em 1990), pedindo para não prolongassem sua vida com aparelhos: “Me leva para Ipanema. Quero entrar no mar e ir embora”.

A morte do autor de “Poema Sujo” causou grande comoção no Brasil e rendeu inúmeras homenagens no Maranhão. Gullar assumiu, ao longo da vida, uma extensa lista de papeis na literatura. Quarto dos onze filhos do casal Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart, ele nasceu José Ribamar Ferreira no dia 10 de setembro de 1930 em São Luís. Na década de 1950, mudou-se para o Rio, onde, em 1956, participou da exposição concretista que é considerada marco do início da poesia concreta. Três anos depois, realizou um feito que lhe consagrou: criou, ao lado dos colegas Lígia Clark e Hélio Oiticica, o neoconcretismo, estilo que valoriza a expressão e a subjetividade em oposição ao concretismo ortodoxo.

Militante do Partido Comunista, Ferreira Gullar exilou-se nos anos 1970, época da ditadura militar, e viveu na União Soviética, na Argentina e no Chile. Em 1977, de volta ao país, foi preso, no Rio de Janeiro. Após 72 horas de interrogatório, foi libertado graças à intervenção de amigos com as autoridades do regime. Depois disso, retornou às atividades de critico, escritor e jornalista.

Colecionou extensa lista de premiações. Em 2014, elegeu-se para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a vaga deixada pelo jornalista Ivan Junqueira. Doze anos antes, foi indicado por nove professores dos Estados Unidos, do Brasil e de Portugal para o Prêmio Nobel de Literatura (sem sucesso). Saiu vitorioso, em 2007, no Prêmio Jabuti, com “Resmungos”, na categoria melhor livro de ficção. Em 2011, ainda faturaria outro Jabuti por sua obra de poesia “Em alguma parte alguma”. Três anos depois, levaria o “Prêmio Camões”, o mais importante de língua portuguesa.

Fonte: OEstadoMA.com