QUANDO O AUTOR QUER SER ENTENDIDO:
UMA LEITURA EM DUETO ACADÊMICO

Sonia Almeida
Cadeira n.º 20

Rafael Blume*

Ler é morder a língua no processo interpretativo. Selecionamos um texto que

vale a pena ser rastreado e desconstruído para experimentar o fato de ser possível dizer escondendo os sentidos para alguns e expondo para outros.

Pergunto-me por que, pelos meios acadêmicos, universitários, escolares e investigativos, depois de quarenta e dois anos de docência na universidade só hoje as jogadas linguísticas próprias do dizer do Deus-Homem são para mim referência de análise.

Analisaremos a parábola “Jesus, o bom pastor”2 , pelo fato de trazer à tona uma fala que, proferida há milênios, se dá à análise sob teorias as mais recentes; uma fala que, repito, proferida há milênios, continua fazendo sentido hoje para milhares. Primeiro reagimos diante da escolha por causa do esquecimento ideológico, mas depois, encontrando uma chamada para publicação cujo tema é O Diabo na Literatura Ocidental, com a pergunta: “Que diabo é este que tem papel e espaço garantido nas Letras, no cinema, nos quadrinhos, na pintura?”3 , passamos também a nos perguntar: Que Deus-Homem é este que parece não ter espaço garantido nas Letras, no cinema, nos quadrinhos, na pintura, mesmo tendo uma fala com traços de maestria linguística e textual? Inspirados em um curso de interpretação textual que também ministramos em dueto, passamos a esta escrita.

RB – De início trato de uma área em que tive que mergulhar depois de um longo caminho de leitura. Eu fiz o percurso contrário. Comecei pela Engenharia, área em que os números são as peçaschave, pelo menos. Enquanto isso, lia os textos bíblicos até que me tornei teólogo e professor. Percebi que a palavra “pregação” encobria uma prática própria das letras. Digo, da área de Letras. O que lia era texto e tinha um material argumentativo a ser explorado. O púlpito: o lugar da aula; as células, grupos de pesquisa, onde o informante é cada participante. Como há líder, mais do que sala de aula, estava ali formando outros professores.

Diante da dispersão pós-moderna, da teologia da prosperidade, de pregações equivocadas e de barganhas para os prazeres deste mundo, mesmo sabendo que há um limite para o entendimento humano, passei a estudar o texto por necessidade4 , analisando o sentido marcado em suas linhas e não nas vontades estabelecidas socialmente na interpretação do que passou a ser o significado de bênção: coisas materiais e outras mais.

O peso da responsabilidade e o compromisso com o real sentido do texto me conduziram à exposição bíblica, que é análise de texto a partir de sua textualidade, pela qual se torna possível entender que um excerto tem, ao mesmo tempo, determinações de uma rede textual composta de 66 livros, de Gênese a Apocalipse. A exposição bíblica5 é análise também da interdisciplinaridade necessária à exegese6 , pensada e exercitada no seminário teológico, na especialização neste tema, no Rio de Janeiro; no mestrado em Leitura e ensino do texto bíblico, no Paraná, ao mais recentemente Cornhill Training Course da Escola The Proclamation Trust, em Londres. A pregação expositiva tem base no que está dito e não no que queremos que seja dito: é leitura expositiva do texto bíblico, análise linguístico-textual, a qual tem-se tornado um inevitável caminho.

Nosso sumário, depois de levantarmos elementos de uma rota própria para um texto acadêmico, é o seguinte: 1. Considerações iniciais em dueto. 2. “A parábola do Bom Pastor” e seu esquema cognitivo 3. Exegese da parábola sob as categorias da textualidade 4. Considerações finais ou o Deus-Homem das Letras.

O que move a escrita deste artigo está no fato de a linguagem verbal, tão encaixada na Filosofia pelos meandros da retórica, já ser, há milênios, competência pela qual foi possível, desde sempre, realizar jogadas textuais curiosas que atravessam os tempos.

A PARÁBOLA DO BOM PASTOR E SEU ESQUEMA COGNITIVO7

Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela
porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão
e salteador. Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das
ovelhas. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e
chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora. E, quando
tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o
seguem, porque conhecem a sua voz. Mas de modo nenhum
seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a
voz dos estranhos.8

Proceder à paráfrase9 não basta. É preciso morder a língua para percorrer o jogo. Rastrear o texto. Para isso, é preciso rastrear os nós, as jogadas, perder a pressa, voltar para ter certeza de que não se esqueceu. Retornar para relembrar. Ler de novo para se certificar de que leu. Costurar os pontos e, neste caso, desconstruir o aprisco e rever/competência linguística no desempenho10 do Deus-Homem.

MARCAS LINGUÍSTICO-TEXTUAIS DO SENTIDO NA MICROESTRUTURA

Ao analisar o jogo persuasivo na dimensão da microestrutura, chamou a atenção destes leitores a sutileza do emprego do pronome no trecho “Aquele, porém, que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas. Para este o porteiro abre, as ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome as suas próprias ovelhas.”.

O pronome “aquele” é generalizante e hipotético. Se assim o fosse sempre na parábola, provavelmente a coesão seria feita com “ele”. Entretanto, o Deus-Homem particulariza e o faz em sua autodefinição metafórica por meio do pronome adjetivo “este”, como sinal de que se refere a si mesmo. Não aconteceu ainda uma autodefinição.

De início, ele fala genericamente da condição de pastor, mas eles, os fariseus, não o entendiam. Com certeza, só aquela marca linguística não foi suficiente para que eles entendessem. Foi preciso Jesus explicar e ser recorrente: “Eu sou o bom pastor”; “eu sou a porta das ovelhas”; Eu sou a porta”; “Eu sou o bom pastor”; “Eu sou o bom pastor”, definindo-se de forma reiterada pelas expressões “em verdade, em verdade”, afirmou de novo e para cada repetição a mesma explicação dita de outras formas:

• “eu sou a porta das ovelhas” […]
• “Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e
salteadores; mas as ovelhas não lhe deram ouvido.”
• […] “se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá,
e achará pastagem.”
• […] “O bom pastor dá a vida pelas ovelhas”.
• […] “conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem a
mim”.

Nessa parábola, as repetidas explicações marcam, por um lado, o discurso do mestre11 diante da consciência de que eles não o compreendiam por serem incapazes de entender sua linguagem e, por outro, o reconhecimento deles diante do fato de nunca terem visto homem nenhum falar daquele jeito.

A parábola selecionada para a descrição de sua força persuasiva dá voz às sutilezas construídas pelo Deus-Homem. Em função de sua capacidade argumentativa, Jesus declara-se pastor e detalha sua relação com as ovelhas. A motivação dessa escolha não está no fato de ser uma parábola, mas sua organização argumentativa, cuja centralidade é a metáfora12 do bom pastor e o comprometimento que ela produz no decorrer de toda a imagem defi nidora do DeusHomem. Isso refl ete a unidade própria da coerência textual. Se há um pastor, há ovelhas, há aprisco, há salteadores do aprisco, há um porteiro do aprisco que defi ne se a porta deve, não deve e para quem deve ser aberta.

O quadro abaixo 13 expõe essas jogadas que rastreamos para a análise textual:

EXEGESE DA PARÁBOLA SOB O CONCEITO DE TEXTUALIDADE

Ler é uma atitude aquém e além das palavras. É um caos cognitivo que vai se organizando no processo, porque:

o texto, em si, é um objeto, fruto de um trabalho construído com
base numa prévia ideação que envolve articulações teleológicas,
estabelecimento de nexos causais e a consciência de uma
atitude que envolve conhecimentos linguísticos propriamente
ditos, conhecimentos gramaticais, conhecimentos pragmáticos
próprios das relações entre interlocutores conhecimentos
filosóficos, retóricos e hermenêuticos. Ler é a atitude de refazer
o caminho da escrita tanto sob o ponto de vista da microestrutura
quanto da macroestrutura, sem perder de vista que, por detrás de
tudo, há uma lógica que se expressa em um todo coerente.14

A leitura sobre a qual tratamos neste artigo diz respeito a um texto como unidade de sentido, que para ter textualidade precisa cumprir princípios pragmáticos de interação, princípios coesivos que dizem respeito à tessitura das palavras e princípios lógicos de coerência, por meio da recorrência, articulação, progressão e não-contradição. Estas bases teóricas são da linguística textual15 e muito orientam para o rastreamento dos segredos e labirintos do texto. Sem esses fatores o texto não é texto, porque é o que lhe confere textualidade16, ou seja, o princípio próprio do que faz um texto ser texto.

Seguindo pelos meandros das surpresas textuais próprias desse compósito, a leitura de um texto exige ativar conhecimentos prévios17: o linguístico, textual e o conhecimento de mundo ou referencial; o lógico, filosófico, hermenêutico, enfim, interdisciplinar.

O conhecimento linguístico é importante porque empregos aparentemente insignificantes, como o emprego do pronome “este” discutido neste artigo, sinaliza para um sentido de extrema importância para a intencionalidade do Bom Pastor

O conhecimento textual diz respeito inclusive ao que precede a primeira palavra: Jesus se revelava ao cego e é confrontado por alguns fariseus. É a situacionalidade que interfere na intenção de se autodefinir antes de morrer e ressuscitar. Dessa intenção vem a revelação de resgatar ovelhas do aprisco, tal como era comum à realidade daquela época como uma imagem que vai costurando a missão de Deus-Homem entre o que está dito nos livros que constituem a Bíblia.

Esses fatores fundam a narrativa que ora estamos analisando. O conhecimento de mundo amplia a possibilidade de entendimento de uma imagem da qual decorrem outras. A imagem do pastor compromete o cenário ao qual associamos aprisco, ovelhas, porteiro, porta, ladrões e salteadores, e produz uma unidade coerente com a realidade, tal como é possível rever historicamente para entender o fato de ser parábola feita de alegoria. Cada metáfora recorrente articula os elementos próprios de um outro contexto análogo: se Jesus é o pastor, então os cristãos são todos os que ele captura do aprisco, espaço análogo a mundo onde há uma voz ouvida por alguns que a reconhecem e que, por isso, recebem a autorização de um porteiro que é Deus e que autoriza a passar pela porta da salvação

A porta, o porteiro e o pastor se religam em um mesmo propósito condicionante de quem sai do aprisco e não fica à mercê dos ladrões e salteadores. O pastor de ovelhas exige mais do leitor para que entenda uma metáfora não cotidiana para nós. A metáfora não só é definidora do Deus-Homem, mas também é comprometedora dessa organização, porque aprisco, pastor, ovelhas e salteadores eram da realidade daquele tempo e muito comuns à vivência do pastor daquela época. Por isso, essa análise linguística, textual, cognitiva é também discursiva. Ao morder a língua depurase a cultura.

A metáfora do pastor diz mais para o contexto da época do que para o nosso. Daí afirmarmos que decorrem da noção de discurso18, o histórico, o social e o cultural. Dizer-se pastor cria uma rede de relações que extrapolam as posições e expressam as ações que cada um realiza e as reações vividas por todos, expressam as escolhas e atitudes, o entendimento, os impulsos e os valores, inclusive os de quem não tem acesso ao aprisco pela porta de entrada.

Identificamos na organização cognitiva do texto a coerência pragmática, estilística e semântica, tendo em vista que a metáfora do pastor centraliza os outros elementos da narrativa e sua cognição. Havia para aquela cultura uma imagem de ser pastor muito mais íntima do que possa chegar para nós. Ou seja, há uma situacionalidade que explica o que é ser pastor. Para o leitor de hoje, ser pastor é a tarefa de tocar as ovelhas para o pasto e para o aprisco. Neste caso, ser pastor implica muito mais: relacionamento entre pastor e ovelha, reconhecimento de voz e até disciplina. Para aquelas ovelhas que se desviavam do rebanho, o pastor tinha o cajado como arma e cuidava dela até que pudesse obedecer à sua tutela.

A centralidade da metáfora do pastor (Deus-Homem) abre um leque para as metáforas circundantes e constitutivas: o aprisco (o mundo), espaço onde as ovelhas vivem e de onde são chamadas e são separadas; o porteiro (Deus), a porta e as ovelhas (os cristãos), os ladrões e salteadores (os fariseus).

A reiterada e contundente afirmação de ser pastor, ser porta, retirar do aprisco sem esquecer o livre arbítrio das que reconhecem a voz do pastor e as promessas de pastagens verdejantes, salvação e vida, é marca persuasiva da fala do Deus-Homem.

CONSIDERAÇÕES FINAIS EM DUETO: SOBRE O DEUSHOMEM DAS LETRAS

R.B. Nesse processo, fui confrontado, cada vez mais, pela Bíblia como texto sob a narração do Deus-Homem das Letras, tal como foi reconhecido pelos judeus, há milênios.

Corria já em meio a festa e Jesus subiu ao templo e ensinava.
Então os Judeus se maravilhavam e diziam: Como sabe este
Letras, sem ter estudado?19

Passei a me fazer uma pergunta: como então pregar, ou seja, ler o texto bíblico, fazer uma exposição bíblica, quer dizer, proceder a uma exegese, ou melhor, fazer uma análise linguístico-textual sem considerar esse fato? Foi quando o letramento familiar virou parceria. Esta que estamos considerando dueto pelo que se sucedeu em um curso ministrado no Seminário Teológico Maranata. Neste salto entre a engenharia e a pregação expositiva, encontrei-me numa área que, conforme sempre ouvi falar em casa, é imprescindível para todas. Se de um lado estavam sendo tratadas as bases da Linguística Textual; do outro, todo o estudo de hermenêutica20 fazia sentido nos fatores de textualidade, na cognição, na estilística, na língua como jogo que se manifesta no desempenho linguístico do Deus-Homem, que sabia que estava no domínio necessário da linguagem.

Qual a razão por que não entendeis a minha linguagem? É porque
sois incapazes de ouvir a minha palavra. [Jo:8-43]

Lendo a Bíblia, eu encontrei uma tessitura especial. E, naquele curso, realizamos uma espécie de dueto acadêmico. A professora de Português, analisando textos bíblicos e o professor de Teologia passou a fazer análise linguística, textual e discursiva, não só das metáforas, mas também das inversões, das elipses, das repetições, das sonoridades das linhas e dos sentidos das entrelinhas, respaldados pela intertextualidade. Selecionamos Jo. 10: 1-18 para discutirmos essas jogadas e os princípios gerais da teoria do texto. Esta experiência valiosa para o dueto pode ser também para outros que estudem texto.

Se por um lado estas considerações advêm de bases teóricas letradas, situadas principalmente na descrição linguística, textual e cognitivo-discursiva, de outro, elas provêm de bases filosóficas, por intermédio da hermenêutica que oferece os fundamentos teóricos para a prática da exegese. Este é o diálogo que funda este dueto: Letras e Filosofia; Linguística e Hermenêutica; Análise textual e discursiva e Exegese; Leitura e Pregação expositiva. A metodologia procedeu à descrição linguística e à análise discursiva do texto não-literário, parábola extraída do evangelho de João.

S. Sim, muito me surpreendeu outra passagem que diz: “nunca homem algum falou assim como este homem”. E chegou a minha vez de perguntar: como, sendo de Letras, não aprendi, então, com o estilo desse Homem? Aprendi com Clarice Lispector que “As palavras são sons transfundidos de sombras que se entrecruzam desiguais, estalactites, renda, música transfigurada de órgão”; com Lacan, que a linguagem é estrutura do inconsciente; com Allouch, que é poeta todo inconsciente despertado pela linguagem do outro, sobre cuja recepção não existe controle e nunca me dei conta de que Deus antecipou todo propósito da criação pelo Verbo. A palavra é o fundamento da realização e da transformação. Significa que as Letras são fundadoras da promessa – são principais.

E a intensidade dessa recepção depende do jogo linguístico que pode atingir o âmbito da dimensão estética, mesmo que o texto não seja literário. É a vez dos estranhamentos21 apoiados em uma lógica e em uma cultura da qual recebemos imagens e modos de dizer, que nos possibilitam afirmar que recebemos da realidade social e histórica maneiras de pensar e de falar. Esse jogo criativo da língua, possibilitado por tantos recursos que a visão sistemática oferece, mas que escapa ao entendimento humano diante do indizível, acontece, por exemplo, pela metáfora, o centro desta tessitura linguística e cognitiva.

Nesse jogo, segundo o estruturalismo22, tudo está sendo, nada é definitivamente, porque depende das circunstâncias contextuais (linguísticas) e contextuais. E essas jogadas acontecem no plano do som, da palavra, da construção e do pensamento e se organizam no âmbito micro e macro das estruturas linguísticas e textuais. Por isso, é preciso que levemos em consideração cada escolha que saltar como curiosa aos nossos olhos de leitores, porque ali será preciso desconstruir os estranhamentos para encontrar a restauração da lógica que parece não haver, encontrar a base linguística originária e recompor o sentido a partir de uma história cultural que ofereceu a possibilidade de dizer.

SA(**) e RB(***) – No mais, o Deus-Homem das Letras, reconhecendo o quão difícil é o ato de ler e de entender aquela linguagem, desconstrói a metáfora do bom pastor e faz a leitura da parábola por meio de um discurso explicativo e esclarecedor que vale a pena ser lido, conforme a seguir:

7 Jesus, pois, lhes afirmou de novo; Em verdade em verdade vos
digo: EU SOU A PORTA DAS OVELHAS.
8 Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores;
mas as ovelhas não lhe deram ouvido.
9 EU SOU A PORTA. Se alguém entrar por mim, será salvo;
entrará e sairá e achará pastagem.
10 O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim
para que tenham vida e a tenham em abundância.
11 EU SOU O BOM PASTOR. O BOM PASTOR DÁ A VIDA
PELAS OVELHAS.
12 O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as
ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então, o lobo
as arrebata e dispersa.
13 O mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado
com as ovelhas.
14 EU SOU O BOM PASTOR; conheço as minhas ovelhas e elas
ME CONHECEM A MIM,
15 assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e
DOU A MINHA VIDA PELAS OVELHAS.
16 Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me
convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um
rebanho e um pastor .
17 POR ISSO O PAI ME AMA, PORQUE EU DOU A MINHA
VIDA PARA A REASSUMIR.
18 Ninguém A TIRA DE MIM; PELO CONTRÁRIO, EU
ESPONTANEAMENTE A DOU. TENHO AUTORIDADE
PARA ENTREGAR E PARA REAVÊ-LA. ESTE MANDATO
RECEBI DE MEU PAI.

O excerto23 acima expõe, em destaque, as explicações de um discurso de quem sabe o que está dizendo e explica a quem não está entendendo. Um discurso que desconstrói a parábola e segue explicando para aqueles que precisam entender o que ele estava dizendo, em uma atitude generosa diante da cegueira que a linguagem também manifesta

NOTAS E REFERÊNCIAS

1 Gênero textual que se constitui de uma narração alegórica geralmente para
tratar de assertiva verdadeira. Especificamente, ler sobre parábola em KUNZ,
Claiton André. As parábolas de Jesus e seu ensino sobre o Reino de Deus.
Curitiba: A.D. Santos Editora, 2014.
2 João 10: 1- 18 (ACF)
3 https://plataforma9.com/publicacoes/chamada-para-publicacao-da-guaviraletras-ufms-dossie-o-diabo-na-literatura-ocidental.htm
4 Rafael Blume publicou, em 2014, Igreja: movimento Multiplicador pela Editora
Ministério Igreja em Célula (Paraná) e, em 2019, Ser Igreja, pela Editora Viegas
(São Luís).
5 Exposição bíblica é a leitura do texto bíblico com base na exegese e na
descrição linguística.
6 GORMAN, Michael J. Introdução à exegese bíblica. Traduzido por Wilson
Ferraz de Almeida. 1. ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017.
7 Esquema produzido para o Curso Interpretação Textual 1, ministrado no SMT.
8 João 10: 1-18
9 Paráfrase, grosso modo e em um primeiro momento da leitura, é reprodução do
texto. (MESERANI, Samir. O intertexto escolar: sobre leitura, aula e redação.
São Paulo: Cortez, 1998.)
10 CHOMSKY, Noam. Aspectos da Teoria da Sintaxe. Coimbra: Armênio
Amado, 1978.
11 Discurso do mestre aqui é a fala de quem é mestre, professor. Nada tem a ver
com o conceito da psicanálise lacaniana.
12 Diz da escolha de uma figura que tem relação de semelhança. DELL’ISOLLA,
Regina Lúcia Péret. A metáfora e seu contexto cultural. In: Metáforas do
Cotidiano. Vera Lúcia Menezes de Oliveira e Paiva. (Organizadora). Belo
Horizonte: Ed. Do Autor, 1998.
13 Produzido para o Curso Interpretação Textual 1, ministrado no SMT.
96 Revista da Academia Maranhense de Letras
14 Adaptado de ALMEIDA, Sonia. Aula de redação: uma viagem transdisciplinar.
São Luís-FSADU, 2004, p.82.
15 KOCH, Ingedore. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez, 2002.
16 Conceito fundamental da Linguística Textual.
17 KLEIMAN, Angela. Texto & Leitor: aspectos cognitivos da leitura. 4. ed. São
Paulo: Pontes, 1994.
18 Discurso neste artigo se refere aos sinais históricos e ideológicos de um texto.
(PÊCHEUX, Michel. Semântica e Discurso: uma crítica à afirmação do óbvio.
Tradução de EniPulcinelli Orlandi et al. 3. ed. Campinas: UNICAMP, 1997.)
19 João: 7-15
20 OSBORNE, Grant R. A espiral hermenêutica: uma nova abordagem à
interpretação bíblica. Tradução Daniel de Oliveira, Robinson N. Malkomes,
Sueli da Silva Saraiva. São Paulo: Vida Nova, 2009.
21 Estranhamento é um conceito que diz respeito à linguagem figurada.
(FERRARI, Lilian. Introdução à linguística cognitiva. São Paulo: Editora
Contexto, 2011).
22 Estruturalismo é uma corrente de pensamento das ciências humanas e sociais que analisa o jogo de relações elementares e constantes como base de um
sistema. (SAUSSURE, Ferdinand. Curso de Linguística Geral. São Paulo:
Cultrix, 1988.)
23 Produzido para o Curso Interpretação Textual 1, ministrado no SMT.

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