DISCURSO DE POSSE DO ACADÊMICO – ELSIOR COUTINHO

DISCURSO DE POSSE DO ACADÊMICO
ELSIOR COUTINHO
29 de agosto de 2019
Cadeira Nº 18

Minhas Senhoras,
Meus Senhores:

NUM dos últimos dias de maio de 1991, fui à Redação do jornal O Estado para submeter a Ubiratan Teixeira, então editor do caderno de Cultura, um conto que pretendia publicar naquele diário. Ele leu pacientemente as 10, 12 folhas, com as quais em seguida fez um canudo, deu-me com ele levemente na testa e disse: “Aprovado. Publico já no próximo domingo.” Agradeci com um abraço e, quando ia sair, ele me fez uma provocação: “Não pensas em te candidatar à Academia? Já devias ter feito isso, lá tem lugar pra ti.” Senti um choque benigno, o coração acelerou o batimento e saí da Redação com o sonho acadêmico plantado na alma.
De fato, o conto, intitulado A mulher do piolho, saiu no dia 2 de junho. Ocupou uma página inteira e trouxe uma bela ilustração do Cabral, o que me deixou lisonjeado.
A partir de então, sempre que se abria vaga na Academia, eu pensava pleiteá-la, mas logo surgiam candidatos, e sempre um apontado como favoritíssimo, com apoio forte dentro da instituição, e eu tinha de recuar, no que fazia muito bem, porque não teria a menor chance de sucesso.
Pelo mesmo tempo, em conversa com o Jomar Moraes, perguntei-lhe o que achava da ideia do “Bira”. Ele foi rápido e objetivo: “Escreve mais um livro, um só, e a gente conversa.” Ora, o aceno do presidente da Academia deu-me a esperança de que, mais tempo, menos tempo, eu chegaria ao quadro efetivo da Instituição.
Mas, e o livro? Bem, o livro, um romance que à época já tinha quinze capítulos escritos, de quando em quando ganha algumas linhas e volta para a pasta de cartolina em que descansa, parte das folhas manuscritas já esfarinhada pelos cupins, e as datilografadas contendo mil mapas geográficos desenhados pelas traças. Um primor de arte cartográfica!
Ocorre que o Jomar passou a me cobrar, sempre que havia oportunidade: “E o livro?” – ao que eu, disfarçando a vergonha, respondia: “Tá andando.”
Depois do Ubiratan e do Jomar, foi a vez de o Ivan Sarney me abordar, mais ou menos assim: “Quando vais procurar a Academia? Já fizeste por merecê-la, mas ela não vai te procurar.”
Quando a Casa era presidida por Milson Coutinho, de quem tenho o orgulho e a felicidade de ser irmão, eu quis saber o que ele achava de candidatar-me à primeira vaga que surgisse. Cheio de escrúpulos, ele me desenganou, peremptório: “Deixa isso pra depois que eu sair da presidência.” Entendi suas tácitas razões e me encolhi.
Com o falecimento do Manuel Lopes, ele que há anos se tornara meu amigo por via dos laços da boa vizinhança e profunda amizade que tinha com o meu irmão Mário, achei que podia concorrer à vaga. Concorri, e o resultado da primeira eleição foi um inédito empate de 19 a 19 votos, nos três escrutínios, num pleito em que nenhum acadêmico deixou de votar.
Marcada nova eleição e não se inscrevendo nenhum outro candidato, fiquei a cavaleiro para conquistar a Cadeira.


Senhoras e senhores, a sinceridade e o instinto de defesa me impõem fazer uma advertência, talvez desnecessária ante o que já ouvistes: não possuo nenhum dos requisitos recomendados à boa oratória. E não estará equivocado quem imaginar que este aviso valha por antecipado pedido de desculpas pelos deslizes de prosódia de que certamente não escaparei no correr desta oração.


Não é encorpado nem reluzente o ativo literário com que chego à Academia: um romance, três contos e cerca de uma centena de crônicas. Sou um contador de histórias, mas um contador de histórias que anda atrás, e a enorme distância, dos contadores de histórias de sua predileção, cuja relação sobe a muitas dezenas de nomes. Entre eles, se me permitis, folgo em destacar: Cervantes, Machado de Assis e Aluísio Azevedo; Dostoievski, Jorge Amado e Josué Montello; Gabriel García Márquez, Fernando Sabino e Graça Aranha; Flaubert, João Ubaldo Ribeiro e Humberto de Campos; Hemingway, Ariano Suassuna e Ronaldo Costa Fernandes; Vargas Llosa, Graciliano Ramos e Coelho Neto; José Saramago, Érico Veríssimo e Joaquim Itapary; Umberto Eco, Guimarães Rosa e Waldemiro Viana; Rachel de Queiroz, Emily Brontë, Arlete Machado, Muriel Barbery, Maria Firmina dos Reis e Ana Miranda.
Eles e elas são especiais em minha lista de preferência, e o que delas e deles conheço, porque li, me basta para votar-lhes respeito e admiração.
E se quiserdes saber de uma esperteza minha, vo-la confesso, sem pejo ou remorso: agreguei, por minha conta e risco, ao meu patrimônio literário, a leitura que fiz das boas obras dos grandes autores. E o fiz porque, para mim, literato não é apenas quem escreve obras literárias, é também quem as lê.


Antes de falar do patrono da Cadeira 18, Sousândrade, quero louvar o trabalho de quantos se dedicaram ao estudo da vida e da obra do poeta, com a ressalva de que menciono apenas os autores que consultei: os paulistas irmãos Augusto e Haroldo de Campos, com ReVisão de Sousândrade1 – obra que resgatou o poeta maranhense de um esquecimento que durou mais de 60 anos; Frederick G. Williams, com Sousândrade: vida e obra;2 o mesmo Williams e Jomar Moraes, com Poesia e prosa reunidas de Sousândrade3 – obra que, entre outras virtudes, teve a de consolidar a bibliografia do poeta, com o acréscimo de seus inéditos; Luiza Lobo, com O Guesa – Joaquim de Sousandrade (Sousândrade);4 Mont’Alverne Frota, com o ensaio Sousândrade: o último périplo; 5 e Sebastião Moreira Duarte, com A épica e a época de Sousândrade. 6
Graças a esses autores, hoje temos referências robustas e confiáveis para o conhecimento de tudo que há de importante sobre mais um gênio maranhense da poesia brasileira.
Joaquim de Sousa Andrade nasceu a 9 de julho de 1832, na Fazenda Nossa Senhora da Vitória, à época território de Guimarães, e hoje de Mirinzal. Seus pais, José Joaquim e Maria Bárbara, além da fazenda possuíam terras em Codó e Cururupu, um soberbo sobrado colonial em Alcântara e muitos escravos. O menino Joaquim e sua única irmã, Ana, muito cedo ficaram órfãos, e a fortuna da família, mal gerida por tutores, não demorou a ser desbaratada.
Supõe-se que haja estudado Humanidades no Liceu Maranhense. Pretendendo estudar na Europa, pediu apoio financeiro ao imperador Pedro II, mas não foi atendido. Voltou ao Maranhão, vendeu alguns escravos e, em 1854, viajou para a França, cursou letras na Sorbonne e retornou dois anos depois ao Maranhão.
Há quem afirme que ele aglutinou os sobrenomes para deixar o seu nome literário definitivo – Sousândrade – com onze letras e proparoxítono, em homenagem a Shakespeare.
Casou-se provavelmente em 1864 com a viúva Mariana Almeida e Silva, com quem teve a única filha, Maria Bárbara, nome dado em homenagem à avó paterna.
Em 1871, sem a esposa, foi para Nova Iorque com a filha, para acompanhar-lhe os estudos. Na metrópole americana, ao mesmo tempo em que continuava a escrever O Guesa, iniciado há 19 anos, produzia e publicava outros poema se colaborava no periódico O Novo Mundo, que ajudava a dirigir e manter. Retornou ao Maranhão 15 anos depois. Em 1899, com o casamento arruinado, a esposa e a filha mudaram-se para Santos, em São Paulo.
Republicano convicto e arrebatado, Sousândrade pugnou destemidamente pelo regime que achava viria redimir o Brasil, escrevendo em profusão artigos na imprensa e cantando a República em grande parte de sua obra poética. Foi o primeiro intendente de São Luís da era republicana, mas exerceu o cargo por apenas um ano.

A OBRA

Sousândrade escreveu os seguintes livros, que menciono tomando por empréstimo parte das caracterizações feitas por Frederick G. Williams:
– Harpas selvagens: o livro mais bem realizado sob o ponto de vista técnico, que revela, não obstante suas cores românticas, grande beleza plástica, sendo que sua temática aborda filosofia, religião, viagens e escravidão.
– Eólias: de certo modo, a continuação do livro anterior no que respeita aos temas de amor, patriotismo, e ainda a solidão e morte do amor não compreendido.
– Liras perdidas: de publicação póstuma, reúne poesias de todo o período criativo do autor, desde quando era estudante na França, até sua velhice em São Luís. É, por isso mesmo, um livro desigual, refletindo as mais diversas tendências e fases evolutivas da poética sousandradina.
– Novo Éden: saudação poética que antecipa a República.Composto em versos brancos e dividido em capítulos chama dos Dias, conforme o número e sequência da descrição bíblica.
– Harpa de ouro – poema que deixou manuscrito, inteiramente dedicado à República e publicado somente em 1970.Quanto a O Guesa, nele tenho de deter-me um pouco mais,
por ser a principal obra do poeta e na qual os estudiosos encontraram os elementos inovadores que identifi cam e marcam o autor como precursor do nosso modernismo poético. É um poema épico latino-americano, iniciado em 1852 e nunca concluído,
interrompido que foi nos cantos VII, XII e XIII.
O Guesa, que significa “o errante”, ou ente sem morada, figura central de uma lenda pré-colombiana, é um menino índio muísca tomado dos pais à força, educado no templo do sol até completar 15 anos, quando é levado em procissão a percorrer longa estrada, até chegar ao ponto em que, amarrado a uma coluna, é morto a flechadas. Seu coração é arrancado e oferecido ao deus Bochica, e o sangue é depositado em vasos sagrados.
Foi nele que Sousândrade encontrou, além do título do poema, a justificação de sua natureza épica, mas o personagem real da longa história é o próprio poeta, incorporando o mito. E foi ele mesmo quem disse: “O poema foi livremente esboçado todo segundo a natureza singela e forte da lenda, e segundo a natureza do próprio autor.”7
A narrativa começa em cenário dos Andes colombianos, desce ao Amazonas, onde, à beira do alto-Solimões, o Guesa é levado a não só presenciar, mas participar do Tatuturema, festim anual de celebração da iniciação sexual de moças e rapazes da tribo, que no ritual se apresentam recobertos de peles de tatu. Na narração desse episódio, contido no Canto II, dá-se abrupta alteração da forma em que o poema vem se desenvolvendo e a linguagem muda de tom para a ironia e a sátira, o nonsense e o carnavalesco.
Finda a diabólica cerimônia, o poema retoma sua forma romântica bem-comportada, até chegar ao Canto X, que inclui o segundo “inferno”, o de Wall Street, ou da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em que o poeta satiriza, ironiza e ridiculariza os que nela especulam, investidores inescrupulosos, diretores de empresas envolvidas em escândalos financeiros, a corrupção, o consumo de bebidas e drogas, o adultério, tudo enfim que levou o Guesa a decepcionar-se com o capitalismo, com a democracia e com a própria República dos Estados Unidos.
Nos dois episódios “infernais”, o poeta faz mil piruetas vernaculares, cometendo muitíssimas travessuras morfológicas e sintáticas, tais como reduções fonêmicas, paronomásias, aliterações, assonâncias, apóstrofes, onomatopeias, hipérboles e outras figuras de linguagem por ele largamente empregadas.
No Inferno de Wall Street, há uma mistura de várias línguas: inglês, francês, latim, espanhol, holandês e até grego! Se isso não bastasse, o autor infiltra no poema, como seus coadjuvantes, centenas de personagens, vivos ou mortos há séculos ou milênios, que vão de santos a cientistas, de demônios a gênios
das artes, de profetas bíblicos a poetas famosos, de filósofos a celebridades mundanas, de heróis conquistadores a pontífices, de respeitados estadistas a bons ou maus políticos de todos os quadrantes da Terra.
Difícil é saber, pelo menos para mim, se o poeta fez essas pulitricas linguísticas com o propósito mesmo de afrontar a ortodoxia romântica então predominante, ou se simplesmente o fez por gosto, por prazer, por ludismo e também, quem sabe, para zombar de muita “gente boa”. Imagine-se, por exemplo, o sentimento de D. Pedro II ao ser comparado, como o foi, a Fomagata, o deus-representação do Sol e herói civilizador da mitologia muísca, que era um monstro com rabo, um olho só e quatro orelhas, lançava fogo bela boca e ainda era cruel.

AS INFLUÊNCIAS

Há quem afirme haver sido Sousândrade influenciado em sua obra por Shakespeare, Lord Byron e Lamartine. A afirmação é procedente, pois o próprio poeta admitiu ter sido seduzido por aquilo que chamou “verdade terrível” dos dois ingleses, e ter-se encantado com a “celeste saudade” do francês. Mas em seguida esclarece que ninguém o ensinou a fazer versos nem a imitar os versos alheios.

De outra parte, Frederick G. Williams diz que

[…] assim como os demais poetas brasileiros, Sousândrade recebeu influência de Gonçalves Dias, cujos conceitos e ideias se refletem nos temas que Sousândrade acolhe, no tratamento que lhes dá, nas formas poéticas e até nos títulos de alguns poemas.

A CRÍTICA

Grandes nomes da crítica literária se manifestaram sobre a obra de Sousândrade, especialmente o seu poema épico, uns com eloquentes elogios, outros com não muito corteses restrições. Mas vou ater-me asomente dois:
– Sílvio Romero numa primeira apreciação da parte d’O Guesa então publicada, disse que o poeta era “quase desconhecido”, que lhe faltavam a “destreza e a habilidade da forma”, e que via na obra “algum verso, alguma estrofe excelente.”9 Já em edição seguinte de sua História da literatura brasileira, corrigiu-se o crítico sergipano: “Ultimamente apareceu, em edição especial, completo, O Guesa errante. Convém ser lido por inteiro.” Tal mudança de conceito provocou a observação, para mim um tanto irônica, dos irmãos Campos: “… não se manda ler por inteiro um longo poema de 13 cantos apenas por causa de uns versos, de umas poucas estrofes…”10
– Luiza Lobo, a respeito dos versos do Inferno de Wall Street, disse:

Essa ousada mistura de tons entre o baixo, da comédia, o médio, do prosaico, eo elevado, do épico, em plena epopeia, configurou-se como uma criação de grande impacto e absoluta originalidade no seu tempo, em toda a literatura mundial […].11


Era o ano de 1884 e o poeta se encontrava em Nova Iorque quando quis concluir o poema, no Canto Treze. Assim como iniciara a saga do Errante em cenário colombiano, para a Colômbia ele a fez retornar. E depois de o Guesa original despedir-se das coisas da natureza andina, o Guesa-poeta escreveu aquela que não era ainda para ser, mas foi, a última estrofe da epopeia.
Sousândrade retornou ao Brasil em 1885. No ano anterior, provavelmente, foi feita a edição londrina d‘O Guesa. No ano seguinte, realizou-se o seu sonho republicano, mas muito cedo o poeta se desapontou com o novo regime, que tomara rumos adversos àqueles por ele idealizados. Frustrado foi o seu anseio de criar a universidade maranhense, que ele pretendia se denominasse, primeiro, Atlântida, depois, Nova Atenas. Sobreveio a velhice, agravada pela solidão, e acentuou-se a pobreza. Teve de vender as pedras do muro da Quinta Vitória para manter-se, e precariamente. Era por muitos considerado esquisito, excêntrico, exótico, ou apenas um sonhador, um visionário. E, pelo modo como habitualmente se vestia, de sobrecasaca e cartola, com que garbosamente desfi lava pelas ruas de São Luís, havia quem o tivesse por louco.
Por fi m, se o Guesa-mito não morreu flechado em sua terra colombiana, o Guesa-poeta acabou abatido, em São Luís, por uma prosaica gripe biliosa, no Hospital Português, em 1902, a três meses de completar 70 anos, e logo num 21 de abril, data por ele fervorosamente cultuada em memória de Tiradentes, de quem consta que possuía como relíquia, na cabeça de uma caneta, um fragmento de madeira do patíbulo em que o Alferes foi sacrificado.
Concluo esta parte trazendo o que disse o escritor Mont’Alverne Frota, em seu já referido ensaio:

O Tatuturema e o Inferno de Wall Street representam na obra de Sousândrade as virtudes poéticas que garantirão a perdurabilidade d’O Guesa, ainda o poema flua no suave, doce, mas limitado leito da Língua Portuguesa.12

Mas, em parágrafo posterior, ele faz esta grave e instigante indagação: “a obra de Sousândrade, após o encontro com a crítica, receberá o acolhimento do público ledor de poesia?”13
A pergunta foi feita há 42 anos, mas não tenho nenhuma dificuldade em respondê-la: Não! Ainda passará muito tempo antes que Sousândrade seja acolhido e lido pelo público ledor de poesia. Lastimavelmente.

O FUNDADOR

Clodoaldo Severo Augusto Conrado de Freitas, piauiense de Oeiras, nasceu a 7 de setembro de 1855, filho de Belisário da Silva Conrado e Antônia Rosa Dias de Freitas. Fez os primeiros estudos e os de Humanidades em São Luís, no Seminário das Mercês e no Liceu Maranhense, mas só os concluiu no Liceu Piauiense, em Teresina. Bacharelou-se na Faculdade de Direito do Recife, em 1880, tendo por contemporâneos os nossos grandes Benedito Leite e Urbano Santos.
Além de no Piauí e no Maranhão, viveu e trabalhou como advogado no Pará, no Amazonas, em Mato Grosso, Minas Gerais e no interior do Rio de Janeiro. Foi desembargador do Tribunal de Justiça do Piauí.
Cronista, biógrafo, historiador, romancista, contista e crítico literário. Sua obra é extensa e rica: Os fatores do coelhado, de conteúdo eminentemente político; História do Piauí, sinopse; Vultos piauienses (apontamentos crítico-biográficos); Memórias de um velho, romance publicado em rodapés de jornal, em Teresina, e Por um sorriso
Em São Luís, escreveu O Bequimão, publicado em folhetim no Diário do Maranhão, em 1908. Essa obra, recolhida pela professora Teresinha Queiroz, historiadora e docente da Universidade Federal do Piauí, foi reeditada em 2001, com o subtítulo Esquisso de um romance, entre os títulos da Coleção Maranhão Sempre. Aqui, Clodoaldo publicou ainda O palácio das lágrimas, novela mista de história e lenda, e, no Pará, a novela Os bandoleiros.
De volta ao seu Estado natal, escreveu O Piauí: canto sertanejo; Em roda dos fatos, rica coletânea de crônicas, e Contos a Teresa. Em 1988, foi feita a edição póstuma de sua História de Teresina.
Além da Cadeira 18 de nossa Academia, Clodoaldo fundou, nove anos depois, a número 1 da Academia Piauiense de Letras, instituição da qual foi o primeiro presidente.
A propósito, senhor Presidente, seja-me permitido fazer breve parêntese para dar realce ao seguinte detalhe: o atual ocupante da Cadeira 1 da coirmã piauiense é maranhense de Passagem Franca, Antônio Fonseca dos Santos Neto, professor do Departamento de História da Universidade do Piauí. É ele o autor do estudo introdutório, com o título Um Maranhão de revoluções, à edição de 2001 de O Bequimão, aqui já referida. E, para minha grande alegria, ele está presente nesta sessão.
Clodoaldo Freitas era ateu e, como tal, certamente via o Céu apenas como espaço cósmico de misteriosa infi nitude. Não tinha crença religiosa, mas era homem sensível e, sobretudo, era pai! E foi como pai que ele amargou o maior dos seus sofrimentos. Seu filho Lucídio Freitas, poeta e também membro-fundador da Academia Piauiense, aos 27 anos de idade, consumido pela tuberculose, agonizava no leito. A dor de pai inspirou Clodoaldo a dedicar ao filho este soneto, no qual o Céu, salvo fantasia minha, parece ser visto de outra maneira:

Dou-te esperanças que não tenho e ponho Nessa doce ilusão minha ventura… Mártir do amor de pai, quanta amargura Me punge ao despertar de cada sonho. Eu nunca me postei ante os altares Nem jamais invoquei de Deus o nome; Vendo entretanto o mal que te consome, Ergo, contrito, ao céu tristes olhares! Bem sei que as leis fatais da natureza Não se amolgam jamais ao nosso pranto, Não têm jamais da nossa dor piedade! Na agonia mortal dessa certeza, Contemplo a definhar, cheio de espanto, Gênio, glória, beleza e mocidade!”1

Clodoaldo Freitas morreu a 29 de junho de 1924, em Teresina.

O PRIMEIRO SUCESSOR

Astolfo Henrique de Barros Serra nasceu na então vila de Matinha, município de Viana, a 22 de maio de 1900, filho do professor Joaquim Inácio Serra e Judite de Barros Serra. Fez os primeiros estudos em São Luís e ordenou-se padre no Seminário Santo Antônio, em 1925. Era pároco em Mirador quando envolveu-se com a revolucionária Coluna Prestes, e por isso foi transferido para Flores, atual Timon.
Brilhante orador e jornalista combativo, participou com destaque da Revolução de 1930. Vitorioso o movimento e José Maria Reis Perdigão feito interventor federal no Maranhão, Astolfo Serra tornou-se secretário de governo. Com a demissão prematura de Perdigão, Serra assumiu o poder em janeiro de 1931, mas seu período de mando não passou de sete meses e poucos dias. Em maio daquele mesmo ano renunciou aos votos eclesiásticos. Não abandonou a militância política e terminou sendo preso em 1935, sob a acusação de ser comunista. Dois anos depois de libertado, mudou-se para o Rio de Janeiro e foi nomeado ministro do Tribunal Superior do Trabalho, corte da qual chegou à Presidência

A OBRA

No gênero poesia, Astolfo Serra escreveu: Gleba que canta, obra consagrada ao Maranhão, sua natureza, seus usos e costumes, suas lendas e a vida simples do povo pobre da Baixada; Profetas de fogo, fervoroso canto poético de exaltação à Revolta dos 18 do Forte de Copacabana, levante tenentista que pretendia derrubar a chamada República Velha. Escreveu ainda Argila iluminada e, em seguida, Manipueira.
Como prosador, publicou Terra enfeitada e rica, obra em pequenos capítulos que, no conjunto, formam um grande canto de amor ao Brasil e ao Maranhão, com ênfase especial, uma vez mais, à sua Baixada. É de algum modo a repetição ampliada, em prosa, daquilo que cantara em versos no primeiro livro.
Escreveu ainda Caxias e o seu governo civil na Província do Maranhão; A vida simples de um professor de aldeia, terna e comovente biografia de seu pai; A vida vale um sorriso; A Balaiada, obra histórica e a mais importante de sua produção; Guia histórico e sentimental de São Luís. Por fi m, vieram Aspectos de uma campanha política, Depoimentos para a história política do Maranhão, e Vértice, esta última, de cunho filosófico.
Astolfo Serra morreu no Rio de Janeiro, a 19 de fevereiro de 1978.

O SEGUNDO SUCESSOR

Manuel de Jesus Lopes nasceu a 2 de outubro de 1929, na Mata do Nascimento, município de Dom Pedro, mas foi criado na cidade de Pedreiras. Seu pai, João Almiro Leite Lopes, sapateiro e barbeiro, queria que o filho escolhesse um desses ofícios, para garantir o futuro. Ainda que tenha aprendido a aparar cabelos e barbas, a ideia de fazer dessa “arte” profissão não foi bem aceita, e um dia ele disse ao pai que o que queria mesmo era ser doutor. Este anseio começou a se encaminhar quando, aos quinze anos, foi trazido para São Luís pelo anjo bom Monsenhor Cincinato, que lhe conseguiu vaga no Seminário Santo Antônio, para cursar Humanidades.
Seu desejo era fazer o curso jurídico, mas a Faculdade de Direito de São Luís não validou o diploma obtido na instituição eclesial, e ele teve de ir para Fortaleza, onde cursou Letras Clássicas na Universidade Federal do Ceará. De volta ao Maranhão, tornou-se jornalista e trabalhou n’O Combate, Jornal do Povo, Jornal Pequeno e Jornal do Dia. Dirigiu o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Luís e foi professor de português e de latim em alguns colégios da Capital.
A partir de 1962, viveu por treze anos no Recife, compondo o quadro técnico da Sudene. Em 1964, em Israel, na condição de bolsista da ONU, especializou-se em cooperativismo e colonização, no Centro de Estudos Cooperativos e Laborais de Telaviv.
Retornou em 1975 a São Luís. Cedido à Universidade Federal do Maranhão, atuou como assessor especial, coordenador do Programa de Interiorização e chefe de gabinete da Reitoria.

A OBRA
Manuel Lopes publicou estes livros de poesia: Voz no silêncio, de 1953; Poemas de agosto, 1955; Um homem à beira do rio, 1961; Ofício no escuro e Campo-ilha-urbis, ambos de 1977; Canção itinerária, 1989, e O breviário de Laila ou a reinvenção na tarde, de 2001.Todos foram reunidos, em 2002, no volume O verbo contido – poesia até aqui, patrocinado pelo Estado como um dos títulos da Coleção Maranhão Sempre.
Vê-se que a obra editada de Manuel Lopes não é copiosa, mas quem a conhece sabe que é altamente qualifi cada e nivela o seu nome a os mais representativos de sua geração, como José Chagas, Nauro Machado, Bandeira Tribuzi, Lago Burnett e Bernardo Almeida, entre outros. É razoável inferir-se que ele não se preocupou em produzir muito, mas produzir bem. É como se houvesse criado seu próprio fi ltro e nele decantado, muito criteriosamente, a matéria-prima que, sem improvisos temerários nem artifi cialismos de baixo preço, transformou em produto poético do mais alto valor estético, todo ele entranhado do lirismo em que o autor foi tão pródigo e tão sublime.
É de ressaltar que Manuel Lopes ganhou prêmios literários como o José Albano, da Prefeitura de Fortaleza; o Sousândrade, no primeiro concurso Cidade de São Luís; o Gonçalves Dias, edição de 1967; o Prêmio Sioge/AML, no mesmo ano, além de ter sido distinguido com o diploma de mérito da União Brasileira de Escritores, em 1989, e vencido, juntamente com Nauro Machado, o Primeiro Festival de Poesia Falada, da Prefeitura de São Luís.


Senhor Presidente, permitido me seja fazer esta digressão: sem haver lido de Francisco Petrarca nada além de pouquíssimos poemas, traduzidos e disponíveis em sítios eletrônicos especializados, sou grato a esse poeta medieval por ele haver inventado o soneto. É acentuada a minha atração por essa forma de composição poética e impressiona-me como em um poema tão curto e tão simples os bons poetas consigam produzir verdadeiras pequenas obras-primas.
Faz-me um bem imenso ler, reler e até tresler sonetos de Gonçalves Dias, Olavo Bilac, Raimundo Correia, Camões, Castro Alves, Alberto de Oliveira, Artur Azevedo, Augusto dos Anjos, Maranhão Sobrinho, Vespasiano Ramos, Fernando Viana e muitos outros, bom, se brasileiros, e melhor, se maranhenses. Em minha inarredável predileção pelo soneto, alegra-me que poetas modernos como José Chagas e Nauro Machado tenham produzido belíssimos poemas desse formato. Colégio do vento, do primeiro, e Túnica de ecos, do segundo, livros compostos exclusivamente de sonetos, eu os tomo como aval à minha preferência
Fechada a digressão, justifi co-a dizendo que no estudo que fi z da obra poética de Manuel Lopes, sem descurar de qualquer das peças do conjunto, todas de grande beleza, dei especial atenção aos sonetos. E destaquei o que leio a seguir, pinçado do livro Poemas de agosto e dedicado à cidade de São Luís:

Bendito cais de morte deste agosto
apenas limitado por instantes.
Já setembro me espera em lado oposto
com fl ores para as ruas e os mirantes
desta cidade antiga em paz completa.
Este mar não é mar, é espelho enorme
onde luas inteiras se diluem
mudas, líquidas, líricas, disformes.
Vem dessas águas este cheiro estranho
e a funda angústia desta noite morta
contra barcos, navios, velas, quilhas
quebra-se austera. Parto por meus olhos.
Fantástica paisagem me transporta
para o breve setembro e outras ilhas.15

Senhoras e senhores, o meu antecessor imediato na Cadeira 18, a par do imenso talento e elevada sensibilidade poética que o levaram ao lugar de relevo que tem em nossa literatura, foi um homem afável, elegante no trato, dócil de temperamento, senhor de fi no senso de humor e um espirituoso gracejador. Mais: chegava a caçoar de si mesmo e gostava de contar as presepadas em que se tinha envolvido.
Exemplo: contou, numa roda de amigos, na casa do meu irmão Mário, uma desdita sofrida em Pedreiras, quando tinha seus12, 13 anos. Visto que “espinho que fura, de pequeno traz a ponta”, já naquela idade ele sentia na alma e no coração os primeiros latejos do estro. Atingido em cheio pela fl echa do traves so deus-menino Cupido, apaixonou-se por uma colega de primário, simplesmente a menina mais bonita e mais rica da escola, fi lha de um fi gurão da política local.
A paixão não o deixou levar nada disso em conta, e ele resolveu dirigir à beldade a carta que começou assim: “Pego no meu negro lápis para confessar-te o meu amor… etc., etc., etc.,” e nestes etcéteras ele disse tudo o que julgou apropriado numa carta de tal natureza. No fi nal, a pergunta: se ela o aceitava como namorado. Fez um post scriptum para informar o local exato em que, no dia seguinte, encerrado o turno escolar, esperaria a resposta. Um seu colega e confi dente entregou a carta à diva.
Na saída, com o coração aos solavancos, a boca seca, ofegando de tanta ansiedade, ele partiu na frente de todos, apressou o passo e foi aguardar a passagem da amada no local indicado.
Mas o que fez a diaba da menina? Aproveitara a hora do recreio para urdir a pérfi da conjura que culminou nisto: um pelotão de trinta ou mais estudantes avançava na rua em direção do jovem poeta, tal como um bloco de sujo que, em vez de cantar uma marchinha, gritava a linda frase dele transformada em maldito bordão, acompanhado por batidas frenéticas de réguas, lápis e palmas de mãos em livros, cadernos e pranchetas: “Pego no meu negro lápis! – pápápá! Pego no meu negro lápis! – pápápá!”
O chão lhe fugiu aos pés, o sangue congelou nas veias, o mundo desabou sobre sua cabeça aturdida. Esgueirou-se por trás de uma árvore troncuda e daí pôde fugir sem ser visto pela horda que prosseguiu rua afora, ao som do debochado grito de guerra marcado pelos tamborins improvisados e vigorosamente espancados.
Ao cabo da história, o Mário o inquiriu: “Mas Manezim, com tantas meninas bacanas que tua escola devia ter, tu achaste de te apaixonar logo pela mais bonita e mais rica?”, ao que ele respondeu: “De ter, tinha, né, Mário, mas tu não sabes que nesses casos quem manda é o coração?”
Manuel Lopes, de ouvido afi nado e de bom gosto musical, costumava participar das reuniões festivas que o Mário promovia a qualquer pretexto, tocadas a violão e regadas a cerveja. Cantava-se de tudo, mas predominavam as letras de Catulo, Ataulfo, Ari Barroso, Dolores Duran, Luiz Vieira, Vinícius de Moraes, Mário Lago, Lupicínio Rodrigues, Cartola e outros grandes nomes do nosso cancioneiro.
Às horas tantas, quando a cerveja já avermelhara pescoços, esquentara orelhas, intumescera carótidas e fi zera subir o tom de vozes em geral, Manuel Lopes pedia: “Mário, aquela! A nossa, Mário!” Eu, que sabia qual era “a nossa,” com duas arpejadas ao violão indicava a nota, e o Mário cantava Rasguei o teu retrato, canção composta em 1930 por Cândido das Neves e gravada por Vicente Celestino.
A importância de Manuel Lopes nessa história está em que, nos dois momentos do estribilho:
Eu sei também ser ingrato
Meu coração, bem vês, já não te quer
Eu ontem rasguei o teu retrato
Ajoelhado aos pés de outra mulher…

ele fazia dueto com o Mário. Um de frente para o outro, ambos com as mãos erguidas, cantavam a estrofe fatal com tanto ardor e dramaticidade, que até parecia haverem realmente rasgado o retrato da mulher ingrata aos pés de outra que entrava no enredo apenas como remédio para um grande sofrimento de amor.


Já neste ano, tive a felicidade de por três vezes ser recebido por familiares de Manuel Lopes: os filhos João Almiro, Sérgio Augusto, Afonso Henriques, Antônio de Pádua e Ana Paula, e a própria viúva, batizada Maria do Carmo, mas que muito cedo recebeu do amado a alcunha carinhosa de Mayna, que se tornou nome definitivo para os familiares e para os amigos, e se eternizou, na vida e na alma dela, como presente do seu poeta. Não é para menos. O amor de Manuel por Mayna era tão profundo e intenso, que ela foi a única pessoa da família de quem a doença cerebral degenerativa não o fez esquecer o nome.
Mas o gesto de ternura dele não fi cou sem troco: ela o apelidou Mano, que tanto pode ser um hipocorístico vindo de Manuel, quanto o popularíssimo sinônimo de irmão, cúmplice, companheiro, o que também eles foram durante a vida que juntos viveram. E deve ter sido como Mano que ele fez o seu check-in na recepção da Morada Eterna.
Vi e senti o ambiente sossegado, num recolhido e aprazível condomínio situado no Turu, espécie de retiro sentimental e terapêutico em que Manuel Lopes viveu seus últimos três anos. Ouvi de Mayna e de seus filhos coisas que desconhecia do poeta, detalhes que me surpreenderam, uns, me emocionaram, outros. Vi e ouvi, por exemplo, com os olhos marejados, em gravação feita num celular, o poeta, já em estágio bem avançado da moléstia que o terminaria vencendo, cantar para a neta Camila Rebeca, por ele mesmo vertido para ao francês, o Xote das Meninas, de Luiz Gonzaga
Vi e manuseei dezenas de poemas seus inéditos, digitados uns, manuscritos outros. Vi e li a carta que ele fez de Telavive, em 1964, para sua Mayna, escrita com letra miúda, inclinada, em linhas tão regulares em nível e espaçamento como se lançadas em papel pautado. Não há como não se emocionar e comover com uma peça tão cheia de ternura, zelo e preocupações com os seus entes queridos, dele separados por distância tão grande. E vi e compulsei, digitado, encadernado e revisado, o volume a que ele intitulou Meu anjo, meu baú, meu balaio de memórias, coletânea de suas crônicas publicadas em jornal.
Manuel Lopes faleceu no dia 3 de novembro de 2017. Neste salão, contemplei por largo tempo a expressão serena e bondosa do seu rosto; na igreja, orei e cantei por ele na passagem do Sétimo Dia. Mas nada me faz lembrá-lo morto. Só o recordo alegre, festivo e cantando com o meu irmão o estribilho da canção que ouvimos há pouco.
Espero poder e saber cumprir o compromisso que com sua memória eu agora assumo, de merecer o título de seu sucessor nesta Instituição que ele honrou, ilustrou e dignificou.


Amigas e amigos, senhoras e senhores, agradecer é preciso. E é bom. Agradecer o que se recebe é ainda melhor do que ouvir o agradecimento pelo que se dá. Hoje eu recebo o maior bem imaterial a que pode aspirar um literato: a imortalidade acadêmica. Por isso, num bendito plágio recorrente em oportunidades como esta, eu agradeço, primeiro, a Deus, que me propiciou a vida e permitiu que ela se prolongasse até o dia de hoje. Por enquanto, porque espero viver ainda muito mais.
Agradeço à minha mulher, Nair, aos meus filhos Breno e Bruno, às minhas netas Larissa e Isabela, e às minhas noras Christianne e Luciene, pelo apoio e pela torcida.
Agradeço ao meu irmão Milson, pelo voto pessoal e pelos que me possam ter sido dados a seu pedido, e agradeço às minhas irmãs Marise e Maria do Carmo, pelas preces que, tenho certeza, foram feitas em favor da conquista que ora se completa.
Agradeço à minha sogra, aos cunhados e cunhadas, aos meus sobrinhos, aos demais parentes e aos bons amigos e amigas, muitos dos quais aqui presentes.
Agradeço, especialmente, a presença dos familiares de Manuel Lopes, viúva, filhos, filhas e noras, a gentileza com que me receberam, além das preciosas revelações que me fi zeram sobre o poeta.
Agradeço ao acadêmico Lino Raposo Moreira, o primeiro a de pronto não só aderir, mas encampar minha candidatura e por ela trabalhar com dedicação e presteza, em razão do que o tenho na conta de principal responsável por meu ingresso nesta veneranda Confraria.
Agradeço aos dezenove acadêmicos e acadêmicas que me deram o voto na primeira eleição, aquela do empate. E agradeço, por fi m, aos trinta e seis, dos trinta e oito possíveis, que me quiseram e fi zeram seu confrade na segunda eleição, em que não tive concorrência.
Senhor Presidente, senhoras e senhores acadêmicos, aqui não chego apenas para completar o quadro efetivo da Academia. Aqui eu fico para ser um de vós, mais que um par, um irmão; mais que um companheiro, um amigo leal. Venho disposto a dividir convosco tudo quanto seja do legítimo interesse da Casa, tudo que resulte em benefício de seu nome, de sua idoneidade e de suas nobres finalidades de agir em favor do desenvolvimento da cultura e em defesa das genuínas tradições maranhenses.
No que toca à Cadeira 18, estejais todos certos de que, se nada puder acrescentar à sua tradição, nobreza e dignidade, nada hei de fazer que possa apequená-la, ofendê-la ou deslustrá-la.

Obrigado.

NOTAS E REFERÊNCIAS

1 CAMPOS, Augusto de; CAMPOS, Haroldo de. ReVisão de Sousândrade. 2. ed. rev. e aum. São Paulo: Perspectiva, 1982.
2 WILLIAMS, Frederick G. Sousândrade: vida e obra. São Luís: SIOGE, 1976.
3 WILLIAMS, Frederick G.; MOARES, Jomar. Poesia e prosa reunidas de Sousândrade. São Luís: Edições AML, 1977.
4 LOBO, Luiza (org). O Guesa / Joaquim de Sousandrade (Sousândrade). Rio de Janeiro: Ponteio, 2012.
5 FROTA, Francisco Marialva Mont’Alverne. Sousândrade: vida e obra: São Luís: Edições SIOGE, 1977.
6 DUARTE, Sebastião Moreira. A épica e a época de Sousândrade: pequena introdução à leitura d’O Guesa. São Luís: Edições AML, 2002.
7 WILLIAMS, Sousândrade: vida e obra, p. 149.
8 Ibidem, p. 87.
9 CAMPOS, Augusto de; CAMPOS, Haroldo de. op. cit., p. 21.
10 Ibidem.
11 LOBO, op. cit., p. 13.
12 FROTA, op. cit., p. 35.
13 Ibidem.
14 CASTELO BRANCO, Cristino. Frases e notas. Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti, 1957.
15 LOPES, Manuel. Poemas de agosto. In Verbo contido. São Paulo: Siciliano, 2002, p. 40.

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