DISCURSO DE POSSE DA ACADÊMICA – ANA LUIZA ALMEIDA FERRO

ANA LUIZA ALMEIDA FERRO
6 de abril de 2017
Cadeira Nº 12

Senhoras e Senhores:

O pai nunca acha feio o que os filhos escrevem. [...] Papai era o meu fã número um. Apreciava como ninguém os meus versos, os meus artigos, a minha oratória. Guardava tudo o que eu escrevia. Aplaudia os meus discursos sem se preocupar que o achassem porventura desmedido. Perdoai-lhe ainda essa manifestação de amizade por mim. [...] Quando anunciavam uma conferência ou um discurso meu, não perdia. Já fatigado de sofrimento e alcançado de anos, sempre compareceu a toda solenidade em que eu tivesse de atuar como orador.

[...]

Hoje, já não o tenho vivo para me estimular na luta; desapareceu nele o meu melhor amigo e ouvinte. Que pena não poder ele continuar a me escutar nos meus versos, nas minhas lucubrações, nos meus discursos!
Esta narrativa o reviverá, e de tal maneira, o creio, que me fortaleço em escrevê-la, certo de que morto meu pai ainda me ouvirá. ¹

ESTE discurso é dedicado à memória do professor Wilson Pires Ferro, meu pai, que tinha um sonho. Também sonhei. Os sonhos são de muitas espécies. Os do tipo Martin Luther King Jr. costumam conquistar o mundo. 

São da mesma categoria os do tipo Orígenes Lessa, que se contrapõem à mera luta pelo feijão nosso de cada dia, e os do tipo José Chagas, que caminham devagar, não têm chegada ou partida, mas nos dão a nossa medida e ainda viram poesia. ² Há os sonhos do tipo Jorge Luis Borges, que viram livro, os do tipo Edgar Allan Poe, que viram pesadelo, e os do tipo Freud, sonhos de divã, que podem virar matéria de estudo. E há os do tipo tradicional, cabeça no travesseiro à noite, do tipo Lygia Fagundes Telles em uma de suas “miniaturas”: aparentemente não têm lógica, mas, admiravelmente, fazem todo o sentido do mundo.³
Eu estava em um trem, mas ainda não nascera. E soube disso porque não chorei. Nem quando vi João Meireles Ferro e sua “Bela”, Izabel Pires Chaves Ferro, deixaram a Princesa do Sertão, onde nasceram, rumo a outras paragens. E as estações se sucederam: Codó, Coroatá, Rosário... Só o rio, o Itapecuru, não ficou para trás. Os filhos igualmente brotaram do caminho de ferro: quatro morreram, seis vingaram.5 Mas ele sonhava com o trem (era ferroviário), enquanto ela sonhava com a Ilha, para os filhos poderem virar doutor (era mãe, afinal). “João, precisamos ir para São Luís, os meninos precisam se formar!”, escutei-a argumentar. Homem que é homem apaixonado não aguenta muito tempo pedido persistente de mulher, ainda mais sábia. Ou se rende ou não sei o que faça. Ele se rendeu. Mas por partes, como cabia a um homem. Primeiro partiu o rapazote Wilson para a Capital, onde foi recebido pelo parente respeitado, certo professor de História de nome Mário Meireles, em cuja homenagem o ferroviário João batizara um filho menor, Mário Pires Ferro. E Wilson conviveu com as primas Ana e Mimi, estudou na antiga Escola Técnica e também virou professor de História, seguindo os trilhos do segundo pai, grande historiador destas plagas e ex-presidente desta Casa.
Desembarquei para o mundo na mesma estação de São Luís. Era maio. Em outubro nasceria a Universidade Federal do Maranhão. Temos praticamente a mesma idade. Embora estando numa ilha, as primeiras ondas que peguei não foram as do mar, mas as do rádio. Ouvi uma voz familiar: era o paraense Marcos Vinicius Sérgio de Almeida, eleito, por duas vezes consecutivas, Rei do Rádio (1953-1954). O célebre radialista e locutor fazia sucesso entre as mulheres, tanto pela estampa quanto pela voz. Infelizmente para as fãs, era casado com uma baixinha de olhos azuis fulgurantes, D. Ducília Ferreira de Almeida, ou Lulu, que enfrentara até mesmo a oposição da futura sogra, a cearense Luisa Rodrigues de Alencar Almeida, para se casar com o mancebo. Jorge Nascimento confidenciou-me que a sogra, supostamente da mesma árvore genealógica que já dera ao Brasil o escritor José

de Alencar, era “professora normalista e jornalista”, colaborara em A Tribuna, de Nascimento Moraes, e era “exímia pianista e violonista, cultivando também a poesia,” além de declamadora “festejada.”6 Uma mulher pioneira, sem dúvida. Porém, a paz só
foi selada com o nascimento da primogênita do casal: Eunice.7
Meu sonho deu um pulo, sem intervalos comerciais. Wilson e Eunice se encontraram na Casa Bancária Francisco Aguiar ou na pista de dança do Casino Maranhense ou do Lítero, foram flechados pelo Cupido, ao som de um bolero ou de Elvis, e se casaram, e eu nasci ilhoa, como antes já o imortal Odylo Costa, filho, fora ilhéu:

Nasci numa ilha.
Era meu destino.
Numa ilha vivo
desde pequenino,
a estender os braços
pelo mundo todo
em busca de traços
que à terra me liguem.
Quero o continente!
Não me deixem só,
não me quero ausente.
Ninguém me compreende
esta busca ansiosa:
tenho o mar comigo,
quero ainda a rosa.
Joguem fora a âncora!
[…]8

Também comigo foi assim: primeiro, veio a ilha; depois, o continente. A família foi minha primeira ilha. Minha mãe, meu anjo da guarda de todas as horas, respondeu a alguém que não me ensinava a cozinhar porque me queria estudando. Até hoje não me arrisco a fritar um mísero ovo. Mas me vi cercada de revistas e livros por todos os lados. Essa parte foi providenciada por meu pai. Eu esperava ansiosamente pelas visitas semanais ao Caiçara. Os gibis, as reinações de Narizinho e os contos de fadas russos, de Hans Christian Andersen e dos irmãos Grimm eram “censura livre”. Cresci e me apaixonei por Robin Hood e Ivanhoé, lutei ao lado de Arthur, Carlos Magno e Bradamante, detestei D. Quixote (ele era a negação do mundo dos cavaleiros medievais que eu aprendera a amar, só posteriormente lhe dei o crédito merecido), viajei ao redor da Lua e ao centro da Terra, percorri 20.000 léguas submarinas com o Capitão Nemo e cheguei à ilha misteriosa, aprendi com o homem que calculava, contei quatro e não três mosqueteiros, quis saber quem estava por trás da máscara de ferro e o que estava por trás do retrato de Dorian Gray, subi o morro dos Ventos Uivantes e voltei para casa com Ulisses, acompanhei a tirania de Ivan, o Terrível, e a caçada a Moby Dick, sofri com Salambô, Julieta, Jane Eyre, Iracema, Helena, a Escrava Isaura, Oliver Twist e os miseráveis, sorri com Elizabeth Bennet e a moreninha, admirei o Capitão, isto é, a Capitã Tormenta, testemunhei os últimos dias de Pompeia e a revolução dos bichos, não lamentei a sorte (ou azar) de Fausto e investiguei, motivada por Sherlock Holmes, os crimes da rua Morgue, do Padre Amaro e de Lady Macbeth, diante de quem Odete Roitman era uma dama adorável. E isso foi só o começo. Dei várias voltas ao mundo em infindáveis e recicláveis 80 dias! Pois não disse certo poeta português que, para viajar, basta existir?9
Na minha ilha, cada vez maior, igualmente cabiam meus avós, tios, primos, entre outros. Filha única, os irmãos de infância que tive foram, principalmente, os primos Mauro, Flávio, Cláudio e Eduardo.
No Colégio Santa Teresa, jardim da minha infância e primeira adolescência, estudei, fi z as primeiras amizades, Valéria, Maria de Jesus, Flávia, Eugênia, Mônica, Izabel Elísia, Danielle, Márcia Beatriz, Acácia, Jamila, Eulália, Wesley, ainda outros, lista sempre incompleta, rostos preservados no tempo ou levados pelo vento, estudei de novo, brinquei de Polícia e ladrão (naquele tempo, todo mundo queria ser Polícia, ninguém queria ser ladrão, o que trazia certo inconveniente, mas isso parece ter mudado hoje), estudei mais (era dia de prova da professora Eulina Maranhão!), joguei algum tênis de mesa e muito pingue-pongue, estudei muito mais, fi z a acusação a Capitu no julgamento em que ela foi condenada por adultério (a primeira vez que fui promotora de Justiça!), aí não estudei mais lá, meu pai queria o continente, minha mãe também. Voltei ao trem, deixei São Luís. Café com pão, bolacha não.10
Desembarquei no Rio, não sei se era janeiro. O mar não era o mesmo, era pintado de outra cor. Santa Teresa não era colégio, era bonde ou bairro. O jeito foi estudar no Colégio Itamarati, Instituto Guanabara, da Tijuca. Foi somente um ano nessa estação. Foi bom. Mas voltei ao trem. Café com pão, bolacha não.
Retornei à ilha. De repente, do colégio fez-se a universidade, a Federal do Maranhão, e eu me formei em Letras, para ser diplomata ou professora. A professora Marisa Moreira me conduziu à Roma Antiga, com a professora Ceres Fernandes fui Jocasta por uma manhã, e o saudoso professor Fernando Moreira, meu primeiro Virgílio – aquele da Comédia que virou Divina –, me levou num bonde chamado Desejo e me contou os segredos de Jane Austen, sem orgulho ou preconceito, até hoje minha autora de cabeceira. Na Aliança Francesa conheci Albert Camus, Prosper Merimée, Corneille, Baudelaire… Era preciso honrar o idioma dos nossos fundadores.
“De repente, não mais que de repente”, como no soneto de Vinicius de Moraes,11 eu joguei fora a âncora e zarpei para a terra de Tennessee Williams. Aportei em Eugene, que não é uma ilha, mas eu me senti numa. Até me abrir para o continente. E para outra ilha. Ainda não a Ilha Desconhecida, Saramago ainda não era presente. Foram muitas aventuras na Universidade
de Oregon: Shakespeare, Edmund Spenser (o Camões da língua inglesa), Thomas Kyd, Thomas Middleton, John Dryden, Aphra Behn, da Ilha da Rainha, além das viagens com Goethe, Maquiavel e outros. Mergulhei nas aulas e no livro Mighty Opposites: Shakespeare and Renaissance Contrariety (1979), do meu professor Robert Grudin, especialista na obra do bardo inglês, até hoje meu escritor favorito, desaparecido, mas não morto, há mais de quatrocentos anos. Para mim, não há autor mais universal ou mais completo. Foi muito bom.
Todavia, voltei à minha ilha, atendendo ao chamado de Têmis. Corri para não me atrasar nas aulas do professor Pedro Leonel Pinto de Carvalho, torci para que o tempo parasse nas aulas do professor Agostinho Ramalho Marques Neto, não dormi na véspera das provas do saudoso professor Nywaldo Macieira e estive no Tribunal de Nuremberg com a também desaparecida professora Maria Eugênia Serra Costa Aguiar, no papel de Beatriz. Formei-me em Direito, para ser algo que eu ainda não sabia o que seria. Embarquei na nau ministerial, sob o timão da Procuradora de Justiça Elimar Figueiredo de Almeida Silva, quase por acaso. Mas foi amor à segunda vista. E dei adeus ao Barão do Rio Branco, que sumiu no horizonte.
Tive saudade do trem. Deixei de novo a ilha, rumo à estação do Belo Horizonte. Café com pão de queijo, bolacha não. Falar de trem em Minas é quase um pleonasmo. De repente, do mestrado fez-se o doutorado na Vetusta Casa de Afonso Pena. Meu segundo Virgílio foi o professor e Procurador de Justiça Carlos Augusto Canêdo Gonçalves da Silva. E meus primeiros livros vieram a lume. Era hora de deixar as montanhas e voltar à ilha, escorridos quase quatro anos. Outras viagens vieram. Também outros livros. De repente, era março, não janeiro, e eu estava novamente no Rio, recebendo a Menção Honrosa do Prêmio Pedro Calmon no imponente auditório do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. De repente, era dezembro, e lá estava eu de novo para segurar o belo troféu do PEN Clube do Brasil.
No dia 15 de setembro de 2016, entretanto, recebi um bilhete para embarcar em um novo trem, fabricado em 1908, mas sempre remodelado, com vagões elegantes e exclusivos. No primeiro, há 12 poltronas fixas, originalmente ocupadas pelos passageiros fundadores, depois substituídos por seus sucessores, todos efetivos; no segundo, há mais 28 poltronas fixas, reservadas aos demais passageiros da mesma classe; no terceiro, mais afastado, há vinte poltronas, destinadas aos passageiros correspondentes; por derradeiro, nos seguintes, encontram-se as bagagens. O número de cadeiras fixas nos três primeiros vagões não se altera; as bagagens, por outro lado, estão sempre aumentando. Essas cadeiras possuem patronos. De vez em quando, um passageiro desce do trem, com todas as honras; sua bagagem, no entanto, nele permanece. Disseram-me que eu agora seria imortal; a ideia me deixou animada, confesso, mas algo na palavra “passageiro” me incomoda. Fico com a impressão de que a única imortalidade possível está na bagagem de cada um. O meu assento é o de nº 12. A cadeira em questão tem como patrono Joaquim Maria Serra Sobrinho, como fundador Clodomir Serra Serrão Cardoso, e como últimos ocupantes Odylo de Moura Costa, filho e Evandro Ferreira de Araújo Costa, mais conhecido por seu nome literário, Evandro Sarney
Senhoras e senhores, na data de hoje, subo neste trem batizado de Academia Maranhense de Letras, conduzido pelo competente e experiente maquinista Benedito Bogéa Buzar. O trem parte. Café com pão, bolacha não. De logo, ouço parte de um poema, cantado com a música da Tocata de Villa-Lobos:

[…]
lá vai o trem sem destino
pro dia novo encontrar
correndo vai pela terra
vai pela serra
vai pelo mar
cantando pela serra do luar
correndo entre as estrelas a voar
no ar
[…]12

Desculpai-me a ousadia, sem dúvida não tenho a voz de Edu Lobo para interpretar Ferreira Gullar na versão Villa-Lobos ou vice-versa, porém eu sigo as instruções do Poeta, desaparecido em 2016, mas bastante vivo no meu sonho. Ademais, soube que cantar pode dar Prêmio Nobel de Literatura…
Dou adeus ao meu grupo escolar. Dou adeus à minha espada de brincar. Dou adeus ao menino que eu quis amar, “que o trem me leva e nunca mais vai parar.”13
Estou eu ainda enlevada pela poesia gullariana quando o trem se aproxima da primeira estação. Pela janela vislumbro uma aldeia em festa, acarinhada pelo luar, à beira de um rio. Lá o tempo parou, e ainda é dezembro, nos versos de um vate quase anônimo:

Repica o sino da aldeia,
Troa o foguete no ar!
O rio geme na areia,
Na areia brilha o luar.
Quantas vozes, que alegria!
O povo da freguesia
Corre em chusma, folgazão.
No caminho arcos de flores,
Por toda parte cantores,
Folguedos e agitação!
[…]14

E antes que eu pergunte o motivo da agitação, vem-me a resposta:
Porque produz tanto abalo
Esta festa sem rival?
É hoje a missa do galo,
Santa missa do Natal!15

Quero ouvir o final do poema ou conversar com o Poeta, mas o trem segue seu rumo e chega à estação. De repente, estou no Rio, não sei se é janeiro, mas a República ainda não nasceu. Procuro pelo Poeta da aldeia, logo identificado como Joaquim Maria Serra Sobrinho ou, simplesmente, Joaquim Serra, patrono da Cadeira Nº 12 desta Casa de Antônio Lobo, jornalista por excelência, além de professor, político, administrador público, teatrólogo e crítico de arte, todavia modesto e recluso por opção. Tal é sua modéstia que costuma se refugiar em pseudônimos. Sigo a trilha do Amigo Ausente, de Ignotus, Max Sedlitz, Pietro de Castellamare e Tragaldabas (Harry Potter ainda não era nascido!), que me levam a seus escritos, de páginas carregadas pelo vento ou reunidas em algumas obras: Julieta e Cecília (1863), Mosaico, poesia traduzida (1865), O salto de Leucade (1866), A casca da caneleira, romance marcado pela autoria coletiva (1866), Versos de Pietro de Castellamare, tradução (1868), Um coração de mulher (1867), Quadros (1873) e Sessenta anos de jornalismo: a imprensa no Maranhão, 1820-1880, por Ignotus (1883).
Nesse Rio imperial, continuo à procura de Joaquim Serra, a propósito primo da Sra. Maria Tereza da Serra Costa, avó das minhas estimadas professoras Maria Tereza Cabral Costa Oliveira e Maria Eugênia Serra Costa Aguiar, referências inelutáveis de competência e amor ao magistério no Curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão.
Sou atraída pela manifestação de mais de 10.000 pessoas aclamando a Princesa Isabel da praça defronte ao Paço Imperial no dia 13 de maio de 1888. Conta-me Mary del Priore que ela, “vestida de branco-pérola e rendas valencianas, assinou com uma caneta de ouro a lei que pôs fi m à escravidão no império.”16 Leio nos jornais: “Delírio e estrondosas manifestações de regozijo popular.”17 Nesse momento ouço André Rebouças comentar que o patrono da Cadeira Nº 12 da Academia Maranhense de Letras foi “o publicista brasileiro que mais escreveu contra os escravocratas.” Tão relevante foi o seu papel que José do Patrocínio posteriormente o elegeu patrono da Cadeira Nº 21 da Academia Brasileira de Letras.
Leio a sua biografia. Nasceu em São Luís a 20 de julho de 1838, filho do político e jornalista Leonel Joaquim Serra. Ele estudou humanidades na então Província do Maranhão. Foi para o Rio, onde permaneceu entre 1854 e 1858 com o intuito de ingressar na antiga Escola Militar, porém não seguiu tal carreira e retornou à capital maranhense livre para explorar caminhos que não envolvessem a obtenção de um diploma de faculdade. Muito jovem lançou-se no mundo do jornalismo e da poesia, encontrando no Publicador Maranhense, capitaneado por Sotero dos Reis, de 1858 a 1860, o veículo inaugural de seus escritos. Nos anos que se sucederam, ele fundou o jornal A Coalição, arauto das ideias do Partido Liberal, na companhia de amigos (1862), e o Semanário Maranhense (1867). Também se dedicou ao magistério e à política, exercendo o ofício de professor de Gramática e Literatura no Liceu Maranhense, conquistado por concurso, o mandato de deputado provincial de 1864 a 1867, e o cargo de secretário do governo paraibano nesse mesmo período. Sua trajetória conheceu uma guinada quando ninguém menos do que o grande Machado de Assis, um dos fundadores da futura Academia Brasileira de Letras, o apresentou à intelectualidade da corte em crônica publicada no Diário do Rio de Janeiro em 24 de outubro de 1864, tornando-se o seu padrinho literário. Quatro anos depois, Joaquim Serra estabeleceu-se no Rio, onde trabalhou nas redações dos periódicos Reforma, Gazeta de Notícias, Folha Nova e O Paiz. Dirigiu o Diário Oficial de 1878 a 1882, do qual decorosamente se afastou por motivo de discordância com o Gabinete de 15 de janeiro de 1882. Por essa época, mais exatamente de 1878 a 1881, foi deputado geral pelo Maranhão, firmando-se, sobretudo, mas não exclusivamente, com a pena incansável de jornalista, como um dos expoentes da campanhaabolicionista, o que justifica plenamente o comentário de André Rebouças.
Afora os artigos, seus escritos incluem poesia, ensaio, teatro, como autor e tradutor, dentre outras modalidades textuais. Desafortunadamente, suas peças, pelo que é sabido, jamais foram impressas. “Versos sobre versos, prosa e mais prosa, artigos de toda casta, políticos, literários, o epigrama fino, o epíteto certo ou jovial, e, durante os últimos anos, a luta pela abolição, tudo caiu daqueles dedos infatigáveis, prestadios, tão cheios de força como de desinteresse”, sintetiza o amigo Machado.18 Mas foi com o jornalismo, sem dúvida, que Joaquim Serra alcançou o reconhecimento maior da intelectualidade brasileira. Chega-me aos ouvidos, pelos corredores do tempo, a observação de Nelson Werneck Sodré de que ele era “respeitado por seus contemporâneos como mestre do jornalismo,” também lembrada por Benedito Buzar, o nosso presidente da Academia Maranhense de Letras, para quem “Joaquim Serra terá devido ao próprio jornalismo, à marca efêmera da folha de jornal, a rápida passagem de seu nome pelas letras pátrias.” O mesmo Buzar me estende a terceira edição do livro Sessenta anos de jornalismo: a imprensa no Maranhão (2001), classificando-o como um dos primeiros “e ainda um dos melhores” estudos sobre a imprensa local, “tanto por seu objeto específico como pela importância de quem o escreve.” E arremata afirmando que Joaquim Serra é “um dos maranhenses de maior lustre intelectual, um dos brasileiros de atuação mais intensa e polimorfa em seu tempo, hoje injusta e injustificadamente esquecido.”19
Volto à capital do Império do Brasil. Ainda vagueio em busca de Joaquim Serra. Recorro ao seu amigo, o Bruxo do Cosme Velho, para conhecer de perto tão ilustre personagem. Mas já é tarde. Ele falece no Rio, terra que o imortalizaria no panteão dos homens notáveis, apenas alguns meses após a assinatura da
Lei Áurea, a 29 de outubro de 1888, no crepúsculo do Império. Diz-me Machado de Assis, alguns dias após a morte de seu mui estimado amigo, que, além de modesto – cujas ideias eram como “moedas de ouro, sem efígie, com o próprio e único valor do metal”, já que “saíam todas endossadas por pseudônimos” –, ele tinha “a virtude do sacrifício pessoal.” O Bruxo do Cosme Velho lamenta o “contraste singular entre os méritos de Joaquim Serra e os seus destinos políticos” e o fato de que não recebeu em vida o reconhecimento popular que lhe seria devido pela sua atuação como paladino da justiça: “Quando chegou o dia da vitória abolicionista, todos os seus valentes companheiros de batalha citaram gloriosamente o nome de Joaquim Serra entre os discípulos da primeira hora, entre os mais estrênuos, fortes e devotados; mas a multidão não o repetiu, não o conhecia.” Pergunto-lhe sobre o estilo do publicista e político ludovicense, e ele me responde que era “feito de simplicidade, e sagacidade, correntio, franco, fácil, jovial, sem afetação nem reticências”, que não se assemelhava ao “humour de Swift, que não sorri, sequer,” porém, diversamente, que “o nosso querido morto ria largamente, ria como Voltaire, com a mesma graça transparente e fina, e sem o fel de umas frases nem a vingança cruel de outras, que compõem a ironia do velho filósofo”. Embora emocionado e triste, Machado de Assis conclui em tom triunfal: “Creio que Joaquim Serra era principalmente um artista. Amava a justiça e a liberdade, pela razão de amar também o (sic) arquitrave e a coluna, por uma necessidade de estética social.”20
Nada mais tenho a fazer nesse Rio imperial. O trem apita na estação e eu parto com ele. Café com pão, bolacha não. Vou para o Distrito Federal, à procura do senador Clodomir Serra Serrão Cardoso, mais conhecido pelo nome parlamentar de Clodomir Cardoso, fundador da Cadeira Nº 12 da Academia Maranhense de Letras e, a propósito, professor fundador da Faculdade de Direito do Maranhão. A viagem é curta, nem vejo surgir o cerrado pela janela. E então me lembro de que Brasília simplesmente não existe, ainda é um sonho a esperar a chegada de Juscelino Kubitschek ao poder. Desembarco novamente no Rio e me deixo levar pela corrente de suas ruas, até que reconheço Aglaia, saída das páginas do romance A coroa de areia, do imortal Josué Montello, a caminho do Senado para tentar uma entrevista com o parlamentar. Deseja pedir-lhe a intervenção em favor de seu marido João Maurício, preso por ativismo político na turbulenta década de 30. Lá ouço alguém anunciar: “Aqui tem a senhora o senador Clodomir Cardoso, uma das fi guras mais eminentes do Brasil, em qualquer tempo. Mestre de todos nós, aqui no Senado.”21 A apresentação me parece insuficiente, pois se trata de alguém que, além de destacado político, foi professor, jornalista, jurista, poeta e autor de diversos trabalhos jurídicos e literários. Recorro a seu colega José Sarney para descrevê-lo: “Com seu porte ereto, a cabeleira branca, o olhar de autoridade e professoral, era tido como um dos homens que representavam, na linha da tradição, as virtudes morais dos maranhenses,” além de “um dos maiores jurisconsultos do país,” dotado da “visão do estadista lastreada numa grande formação cultural.”22
Da entrevista do senador Clodomir Cardoso com Aglai aguardo apenas uma de suas frases, que atravessou a porta que nos separava: “Não traio minha consciência. Isso nunca.” Ela parte, e sou levada ao gabinete do senador, mas ele não está mais lá. Espero. Interesso-me pelas obras de sua autoria, caprichosamente arrumadas na estante, a grande maioria versando sobre temas jurídicos: A municipalidade de São Luís (1916), A debênture num concurso de credores (1917), A condição política da mulher casada em face da Constituição de 1891 (1925), A mulher e o direito de voto ante a Reforma Constitucional de 1926, A intervenção federal nos Estados, Sociedades anônimas (1930), dentre outras. Mas o que mais me encanta é o seu ensaio Ruy Barbosa: a Sua Integridade Moral e a Unidade de Sua Obra, que alia a profundidade da abordagem à escolha de um ícone como objeto de estudo, publicado na Revista de Língua Portuguesa em 1926. Ele retorna, intimido-me, a princípio, com a sua austeridade, porém logo a conversa fl ui como as águas de um rio caudaloso. Ele me fala dos seus tempos de magistrado no Pará e de promotor de Justiça da Comarca de Bragança e Maracanã, de prefeito em São Luís, de deputado, de seus vários livros… Pergunto-lhe sobre a sua poesia, e ele se revela modesto. O tempo passa e deixo-o relutante para retomar o trem, pensando em como um homem como ele, referência moral de toda uma geração, faz falta no Brasil hodierno, mergulhado em aguda crise ética.
O trem se põe em marcha e volto à janela. O meu carro é forrado de palhinha, porém cai faísca nele. Café com pão, bolacha não. Logo vejo um rio, o Parnaíba, e uma barca, levando o velho João da Grécia e sua jovem Maria, esta arrastada pela correnteza da vida para um fi m trágico nas mãos de seu marido ciumento, uma história que, desafortunadamente, continua a se repetir, com frequência intolerável, para desgraça de outras tantas Marias, não obstante as sementes espalhadas pela Lei Maria da Penha, à espera que o tempo e os homens as transformem em frutos vistosos. Não vejo a faca de cabo de prata, mas ela está lá, todo o tempo, no fundo ou no topo da mala de couro de João e, por fim, no corpo indefeso de Maria. A corrente, diz o novelista Odylo Costa, filho, em A faca e o rio (1965), “puxa com força” e não é fácil “ir contra o velho rio poderoso.”23 Não há remanso no futuro de Maria… Pelo menos, a sua história ganhou o mundo, foi traduzida para o inglês pelo professor Lawrence Keates, da Universidade de Leeds, e chegou às telas de cinema pelo olhar do holandês George Sluizer.
De repente, surpreendo-me ao ver João da Grécia e Maria no trem, ele a lhe oferecer laranjas maduras, que ela aceita com gosto.24 E então não mais os vejo. O trem chega à terceira estação. E estou de novo no Rio, ignoro se é janeiro, mas o ano é 1963. Saio da estação em busca do jornalista, cronista, poeta, ficcionista, crítico literário e político maranhense Odylo de Moura Costa, filho, penúltimo ocupante da Cadeira Nº 12 da Academia Maranhense de Letras e quarto ocupante da Cadeira Nº 15 da Academia Brasileira de Letras, cujos padrinhos de casamento com a amada piauiense Nazareth, como testemunho de seu prestígio no meio intelectual nacional, foram ninguém menos do que Manuel Bandeira, seu melhor amigo, que o tinha como filho, Ribeiro Couto e Carlos Drummond de Andrade. Na madrugada de Santa Teresa, encontro o seu primogênito, Odylinho, todavia é uma ocasião trágica: ele é assassinado por menores abandonados ao defender a namorada, o que causa uma verdadeira comoção no país. “Mãos frias, porque mãos vazias,”25 diria Dagmar Destêrro, imortal desta Casa. O pai, magnanimamente, perdoa publicamente o algoz de Odylinho e ainda vem a empreender incansável luta em prol dos menores infratores, de que resulta o nascimento da antiga Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor – Funabem. E faz de sua dor matéria-prima para o belo soneto

A MEU FILHO

Recorro a ti para não separar-me
deste chão de sargaços mas de flores,
onde há bichos que amaste e mais os frutos
que com tuas mãos plantavas e colhias.

Por essas mãos te peço que me ajudes
e que afastes de mim com os dentes alvos
do teu riso contido mas presente
a tentação da morte voluntária.

Não deixes, filho meu, que a dor de amar-te
Me tire o gosto do terreno barro
E a coragem dos lúcidos deveres.

Que estas árvores guardam, no céu puro,
entre rastros de estrelas, a lembrança
dos teus humanos olhos deslumbrados.26

Outros eventos dolorosos se sucedem. Pouco mais de um ano depois, falece aos 11 anos a filha Maria Aurora, portadora de deficiência mental profunda. Um violento enfarte o acomete. E a dor do Poeta uma vez mais se transforma em verso, consoante testificam os tercetos de seu soneto intitulado Dedicatória:

[…]
Veio depois a vida e mergulhou
a minha alma na grande dor severa,
barco afogado em rio adormecido.

Do sofrimento o verso rebentou.
Antes, meu Pai e minha Mãe, quisera
que esse verso jamais fora nascido.27

Para Mallarmé, com efeito, “en poésie, il s’agit, avant tout, de faire de la musique avec sa douleur, laquelle directement n’importe pas”, o que leva o amigo Bandeira a dizer que Odylo “fait de la musique avec sa douleur,” isto é, “toca música com sua dor”, pontificando: “Música de timbre próprio, de inefável doçura, sem melaço.”28 Nesse período de luto, Manuel Bandeira faz um soneto para Odylo e Nazareth, e Carlos Drummond carinhosamente dedica ao jornalista o Soneto de Odylo. Quando da preparação da segunda edição de sua Antologia dos poetas brasileiros bissextos contemporâneos, Bandeira, aliás, tem o privilégio de ser o primeiro a ler alguns dos poemas inéditos do maranhense, especialmente aqueles marcados pela tragédia com o filho adolescente, classificando-os entre “os mais belos da poesia de língua portuguesa.”29 E Odylo, que jamais abandonara a poesia completamente, se abre definitivamente para os encantos das musas Érato e Terpsícore, vindo a publicar vários livros de poesia, principiando por Tempo de Lisboa e outros poemas (1966) e Cantiga incompleta (1971), no breve espaço de 1966 a 1979, em que sobressai a predileção pelos sonetos, “tão perfeitos de inspiração e forma que ninguém os acredita obra de principiante tardio, mas de grande poeta laureado,” conforme constata Rachel de Queiroz.30 Jorge Amado confessa que há muito “não lia versos em voz alta para Zélia ouvir,” enquanto Carlos Drummond o chama de “poeta contumaz e geral”, que “sabe tirar do soneto uma sutil modulação em que se casam o gosto moderno e clássico.”31
Foi como se houvesse arrebentado um dique no peito do Poeta ludovicense. Também o seu lado ficcionista vem à tona com a novela A faca e o rio (1965) e os contos A invenção da Ilha da Madeira (1966) e História de Seu Tomé meu pai e minha mãe Maria (1970). Para a mesma Rachel de Queiroz, a primeira obra é uma “bela tragédia sertaneja,” escrita pelo “dono de uma prosa que tanto tem de poética e colorida quanto tem de segura e enxuta.”32 Tomo coragem e procuro o imortal escritor ludovicense. Ele me recebe calorosamente, com um largo sorriso. Em um canto, vejo algumas de suas numerosas obras. Pergunto-lhe, de chofre, qual o segredo de sua poesia, e ele me responde com estes versos do soneto

[…]

Não me proponho – nunca! – à faina ingrata
da tortura da forma, essa que outrora
jogava o poeta insone noite afora,
artesão de ouro trabalhando a prata.

Quero o abandono incólume do fruto,
na disciplina rija e natural,
onde a árvore não põe sinal de esforço.

Trago-te o verso, após, como um tributo
ofertado na mão, luz matinal
de abelha e mel a escorrer do dorso.33

Mas há algo no ar. O Poeta parece se despedir. Vejo os originais de seu livro Boca da noite (1979), e me deparo com este soneto shakespeariano, menos usual na sua obra poética:

De repente, eis-me em tudo tão tranquilo
como se a morte já tivesse vindo.
Não me ocupa o amanhã para construí-lo.
Nem me lembra se o ontem não foi lindo.
Da cinza não me queixo pois foi brasa.
Entre os livros não sofro solitário.
Árvore e filhos deram luz à casa.
Tive flores de irmãos no meu calvário.
Sinto entre as sombras o invisível rio
descer tão lento agora que a canoa
pára no susto antigo que a povoa.
Nem alegria ou dor, calor ou frio.
No mundo ponho uns olhos bons de avô:
foi a boca da noite que chegou.34

E a boca da noite acaba por tragá-lo aos 64 anos, uma semana depois de entregar esses originais à sua editora. Os seus muitos e ilustres amigos das letras se reúnem para homenageá-lo. Fica-me a eloquente sentença de Guimarães Rosa: “Você é um dos seis melhores, maiores poetas nossos. A mim, em muito, talvez o que me traz mais necessariamente a poesia, como conversa prévia que Deus concede, como marulho do riacho. Como consolação. Obrigado, Odylo.”35 Quase posso ouvir a voz inconfundível de outro Poeta destas bandas:

ser poeta é duro e dura
e consome toda
uma existência.36

Desejo quedar-me no Rio para poder apreciar mais da excepcional obra de Odylo, para poder me abandonar nessa odylíada, 37 mas não devo atrasar o trem. Sou Cinderela, não devo passar de meia-noite.
O trem deixa o Rio, Joaquim Serra, Clodomir Cardoso e Odylo Costa, fi lho para trás. Café com pão, bolacha não. O mar vira sertão, e o sertão vira Baixada. O trem alcança uma ilha, terra de Joaquim Itapary, outro imortal desta Casa, mas é uma ilha diferente, “cercada de verdes campos, / por todos os lados,”38 como a descreve outro de seus insignes fi lhos, um poeta que, acompanhado de um amigo e um irmão mais velho, sobe no trem na pequena estação onde paramos por alguns minutos. O Poeta se despede de seu torrão natal, São Bento, que vai desaparecendo no horizonte, com um soneto do qual consigno o último terceto:

Longe de ti, jamais estou sozinho
teu perfume ao meu lado vem, caminha
qual uma imensa rosa, sem espinhos.”39

Eu dele me aproximo para prosear e ele me acolhe com jeito de menino do interior, revela que nasceu Evandro Ferreira de Araújo Costa, depois Evandro Sarney, a 16 de maio de 1931, tendo como pais Sarney de Araújo Costa e Kiola Leopoldina Ferreira de Araújo Costa, ela de “voz mais doce do que o mel” na hora da bênção vespertina.40 Explica que terminou o primário no Grupo Escolar Mota Júnior e que foi “criado à beira dos igarapés sambentoenses, bem ali, acolá, onde o mar termina e o rio Aurá começa e desce, lento, enfeitado de verde do mangue, de pois pelas folhas de mururu e que vai terminar no verde só verde e mais verde dos campos dos Perizes.”41 Fala-me da primeira casa de sua família, com suas “muitas e grandes janelas,”42 situada atrás da igreja do Senhor São Bento, e eu penso que ele está destinado a abrir muitas janelas para o mundo. Seu amigo e o irmão se apresentam, o primeiro se chama Álvaro, mas é conhecido como “Vavá”, e o segundo nasceu José Ribamar, contudo o Maranhão, o Brasil e o mundo o conhecem como José Sarney, dono do mar e dos marimbondos de fogo.
A prosa é tão boa que não percebemos quando o rio Aurá vira baía.

Nossos caminhos eram de campos
mas, também eram de mar,43

comenta o Poeta. Café com pão, bolacha não. Chegamos a São Luís, nossa derradeira estação. Evandro recorda outra chegada perdida no tempo e menciona que ali aportara ainda em idade escolar. Vejo e ouço a Ilha pelos olhos e ouvidos do Poeta: o apito da fábrica Santa Amélia e o barulho dos seus teares, aquela situada defronte da pousada de D. Sérgia, D. Lídia Cândido e Pedro Costa, onde residira com o irmão José, os pães quentinhos da padaria da Rua São Pantaleão, as aulas no Liceu Maranhense da época de Mata Roma, Ruben Almeida e muitos outros mitos do magistério maranhense… Não vejo lampiões de gás, porque, nos alvores do séc. XX, o prefeito Clodomir Cardoso já os substituiu por iluminação elétrica.
Continuo com o Poeta, de memória extraordinária, agora com o corvo de Edgar Allan Poe a seu lado. Evandro me conta a sua história. É casado com D. Aglaé,44 esposa exemplar, amor dos tempos do colégio, e tem seis filhos, sendo três mulheres e três homens.45 Seu pendor para as letras se manifestou ainda na adolescência, tendo como veículo inicial de expressão grêmios e movimentos literários estudantis, em que se moldou o intelectual aos poucos amadurecido em talentoso poeta, apreciador dos sonetos, sem exclusão do manejo de outros formatos poéticos, a exemplo do amigo Odylo; em combativo jornalista, dedicado, sobretudo, às questões políticas; em sensível cronista, cujos temas iam de Erasmo Dias a Jorge Amado, da vida circense à viagem para a Baixada Maranhense; e em celebrado orador, da mesma nobre estirpe de Astolfo Serra. Confidencia-me o irmão José que Evandro Sarney, aos 18 anos, já “era a estrela mais aplaudida” dos comícios políticos da então Oposição, que era corajoso nas refregas políticas, grande cronista e boêmio, vivendo “como os poetas do século XIX, em que ser literato importava numa vida de inspiração aventureira.”46
Foi secretário na administração de Eugênio Barros e eleito deputado estadual, exercendo o mandato, com sucessivas reconduções, de 1954 a 1970. Mas, como no poema de Drummond, no

meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho.47

E esta veio na forma de um grave acidente, que, conquanto sem sequelas físicas, pouco a pouco o afastou da política, porém o aproximou mais da família e da literatura.48 Evandro se aposentou no cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
No âmbito literário, integrou o grupo da Guanabara, foi eleito para a Academia Maranhense de Letras em 24 de janeiro de 1980 e tomou posse na Cadeira Nº 12 em 25 de abril do mesmo ano, em sucessão ao grande poeta Odylo Costa, filho, ocasião em que foi saudado pelo ministro Carlos Madeira. Lá o irmão José já o esperava desde 1953. Em 1983, a tríade inédita de irmãos nesta Casa se completaria, com o ingresso de Ivan Sarney, outro poeta, quase 15 anos mais jovem. Evandro é ainda fundador da Cadeira Nº 16 da Academia Sambentuense, tendo como patrono o constitucionalista Raymundo de Araújo Castro.
Sob a pena do jornalista atuante, possui volumosa colaboração em órgãos da imprensa local. Sua produção, abrangendo poesias, crônicas, contos, artigos e ensaios, está presente nas páginas de livros, jornais e revistas. E elogiados discursos de sua lavra encontram-se registrados nos anais da Assembleia Legislativa do Estado.
No apartamento do Poeta, pergunto por seus livros, e ele me mostra a sua bibliografia: Não convertamos uma questão de futuro em questão comercial (São Luís, 1956), Cantigas de quebra-mar: poesia e prosa (São Luís, 1979), Noite maranhense (contendo o discurso de posse na Academia Maranhense de Letras; em coautoria com Carlos Madeira) e Aquele verde tão verde: poemas e crônicas (São Luís, 1981).
São Luís é o grande tema, ainda que não exclusivo, de sua obra poética, tomada pelo lirismo, como demonstram estes versos de abertura do poema São Luís em tempo de louvação:

Meiga, morena e bela Ilha.
Ilha pequena, ilha grande
Que nos meus braços faz vazante
E preamar nos meus olhos.
Ai, que amor de pecados
Na cama de tuas dunas
E na espuma do teu mar.

[…]49

Não menos eloquentes são os versos fi nais do poema
Apenas um Relatório Poético:
[…]

A ilha de São Luís é um armistício
Perante todas as guerras.

Por isso eu canto esta ilha,
Que nem uma Cigarra velha,

Não por acaso, Carlos Cunha saúda Evandro Sarney como o “cantor da Ilha” no final do prefácio do livro Cantigas de quebra-mar (1979), ressaltando que ele “vive em permanente diálogo com São Luís, deslumbrado com as belezas da ilha, em exaltação à natureza que o comove,” bem como que ele “sabe como poucos captar as nuances idílicas do cotidiano de nossa terra.”51 Não é uma cidade qualquer, entretanto, que se vê exaltada pela pena do Poeta. É uma cidade inconstante, porque em constante movimento, ao sabor das marés, ora cercada “de águas e ondas, gaivotas e peixes,”52 ora “sem verde e sem flores,” envolvida por um mar “sem água e sem flores,” um “mar seco, vazante.”53 É uma cidade que ora lhe sorri, ora o “lança ao mar como amante usado.”54 Daí a presença do mar em muitos de seus poemas devotados à natureza, sua permanente fonte de inspiração. São tantos os seus poemas molhados de mar! Enfim, a São Luís de Evandro é uma cidade com corpo “amigo de mulher”,55 “salgado de mar,”56 com o perfume das rosas que transformam o jardim do Poeta em “estranho anfiteatro.”57 Nenhum outro poeta celebrou tanto a natureza desta ilha.
Na sua obra impregnada do mais puro lirismo, ainda se destacam os poemas inspirados em experiências marcantes de sua vida pessoal, como a chegada aos 50 anos,58 e nos seus amores, mãe, esposa, filhos e netos, a exemplo do poema “Louvação em três cantos para a neta Evandra,” além daqueles consagrados à Baixada Maranhense e à sua querida São Bento
Ainda uma palavra sobre a sua poética. Carlos Madeira, em seu discurso de recepção a Evandro Sarney nesta Casa, apresenta outra perspectiva sobre o verdadeiro sentido da exaltação do Poeta à cidade: “A sua louvação à cidade, porém, não é a de um poeta visual, preso à beleza das coisas ou à sua historicidade. […] A cidade é apenas o espaço que se alarga à medida em que ele sofre e ama, sente e sonha, estabelecendo uma correspondência entre o espaço externo e a intimidade que se aprofunda, no dia a dia de sua vida. É ela uma gaiola de ouro, onde o poeta pode recriar os caminhos de sua juventude e contemplar as acácias do seu jardim.”59
Na visão de Carlos Madeira, “São Luís é para ele o recanto essencial de um universo alargado por sua visão poética,” sendo que o esconderijo de Evandro “não é só a velha cidade,” mas também a sua vila natal, pois o “poeta só se acha seguro no seu chão de infância.”60
Aos 84 anos, a 10 de abril do ano passado, nesta São Luís que tanto o inspirou, ele desce do trem da Academia e da vida, deixando valiosa bagagem para o nosso deleite. Creio que seu túmulo é o mar da Ilha. Lembro suas palavras: “Desconheço o mar que me espera em naufrágio.” Ouço o corvo que o acompanhava repetidamente sentenciar: Nevermore. “Nunca mais.” Nevermore.61 Mas o corvo logo voa, e um urubu pousa numa árvore próxima. E então vejo o Poeta renascido em seu poema mais célebre:

No topo dessa árvore sem fruto
Vejo-te, urubu, pássaro horrendo
Na aberração da tua dor trazendo
A vestimenta do teu próprio luto.

Vendo-te triste, retraído, escuto
Tua voz rancorosa maldizendo
O dia, a hora, o trágico minuto
Da natureza, a raça concebendo.

Ambos somos iguais, ave agoirenta
O veneno que encheu a tua taça
É o mesmo que interiormente me sustenta.

Como tu, revoltado, e até profano
Maldigo dez mil vezes minha raça
E esse destino que me fez humano.62

Olhando para trás, vejo que São Luís sempre esteve presente na vida dos escritores ligados à Cadeira Nº 12 da Academia Maranhense de Letras, ou como berço, ou como túmulo. Foi o alfa de Joaquim Serra, Clodomir Cardoso e Odylo Costa, filho, assim como o ômega de Evandro Sarney. E a Cidade Maravilhosa, em epíteto dado, segundo alguns, por um caxiense, Coelho Neto, foi o ômega dos três primeiros. Há mais pontos em comum entre essas quatro ilustres figuras: todos foram jornalistas, políticos e, em menor ou maior grau, com maior ou menor sucesso, poetas. Todos foram paladinos da Justiça, como Joaquim Serra em sua luta pela abolição da escravatura e Odylo Costa, fi lho em sua cruzada em defesa dos direitos dos menores infratores
Alphonsus de Guimaraens, ao tomar posse na Cadeira Nº 15 da Academia Brasileira de Letras, chamou-a de “Cadeira da Poesia”, por ter como patrono Gonçalves Dias e como fundador Olavo Bilac, dentre outros nomes de sua linha sucessória. Paulo Coelho, ao assumir a Cadeira Nº 21, denominou-a “Cadeira da Utopia”, por considerar ser este o elemento presente em todos os intelectuais de sua história. Fiquei então a pensar qual epíteto daria à Cadeira Nº 12 da Casa de Antônio Lobo. Ocorreram-me várias opções, tal a riqueza da biografia de seus nomes: “Cadeira dos Grandes Tribunos”, “Cadeira dos Poetas Esquecidos”, “Cadeira do Bem Falar e do Bem Escrever”, mas todas me pareceram insatisfatórias, incapazes de abraçar todas as facetas dos intelectuais que honraram a Cadeira Nº 12. Então me decidi por “Cadeira do Sonho”, porque os quatro escritores de que falei nesta oração foram todos idealistas, sonharam com um mundo melhor, pelo qual lutaram com a força da palavra, ora armada em prosa, ora vestida de poesia, ora com a pena do jornalista ou o discurso do político, ora com a arte do poeta, contista ou cronista ou a proficiência do ensaísta.
Tenho eu algo em comum, por mínimo que seja, com estes homens extraordinários? Deixo a questão para mentes mais esclarecidas. Contentar-me-ei em apontar uma diferença, que, de tão singela, é por si só evidente. Sou mulher. E a diferença é tão mais evidente porque sou apenas a nona mulher a ingressar nesta Augusta Casa, em quase 109 anos decorridos desde a sua fundação. Não há patronas na Academia Maranhense de Letras. São duas fundadoras de cadeiras: Laura Rosa (1943) e Mariana Luz (1949). Sucederam a outros acadêmicos Conceição Neves Aboud (1955), Dagmar Destêrro (1974) e Lucy Teixeira (1979), estas já desaparecidas; Ceres Costa Fernandes (2002), Laura Amélia Damous (2003) e Sônia Almeida (2006), estas as ilustres e ilustradas representantes atuais do sexo feminino na Academia Maranhense de Letras. Seja no magistério ou em cargo administrativo, seja no cultivo do ensaio ou da poesia, elas já provaram e continuam provando, cada uma em sua especialidade, o valor das intelectuais, escritoras e poetas maranhenses. Mais do que isso, são faróis da intelectualidade não apenas para as mulheres, mas também para os homens. Minhas homenagens às confreiras da Academia Maranhense de Letras e a todas as escritoras maranhenses, que ainda pedem passagem para mostrar o seu valor, como na marcha carnavalesca de Francisca Edwiges Neves Gonzaga, a Chiquinha Gonzaga:

Ó abre alas,
Que eu quero passar
Ó abre alas,
Que eu quero passar
Eu sou da Lira
Não posso negar
Eu sou da Lira
Não posso negar […].

Senhoras e senhores acadêmicos, esta é uma noite de celebração. The feast of reason and the fl ow of soul, isto é, “a festa da razão e o fl uir da alma,” nas palavras do poeta britânico Alexander Pope.

Bebo, a goles, a glória deste dia,
goles medidos de bebida rara,63

tomando de empréstimo versos do poeta Odylo Costa, fi lho. E fostes vós quem me oferecestes esta bebida inebriante, quem me proporcionastes a suprema honra de hoje transpor os umbrais desta Augusta Casa e realizar um sonho que não era só meu e que, na verdade, não acabou, só está começando. É que integrar uma Casa cuja missão é a valorização e promoção da cultura e das letras maranhenses é uma grande responsabilidade. Prometo-vos sempre me esforçar para estar à altura dessa honra.
Por derradeiro, sinto-me na obrigação, para que não se confi gure propaganda enganosa, de vos dizer quem sou. Busco auxílio em Fernando Pessoa e vos declaro:

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”64

Mas se julgardes haver alguma substância nesse nada, digo-vos que eu

sou eu mais pedaços dos outros,65

uns maiores, outros menores, uns do tamanho de uma vida, outros do tamanho de um momento, uns legados de indivíduos, outros pertencentes a instituições. Trago comigo pedaços de meus pais, e quão imensos são, de toda a minha família, de meus amigos, das escolas e universidades onde estudei ou lecionei, das academias e instituições a que pertenço, particularmente o Instituto Histórico e Geográfi co do Maranhão, a Academia Maranhense de Letras Jurídicas, a Academia Ludovicense de Letras, a Academia Caxiense de Letras, a Associação dos Amigos da Universidade Federal do Maranhão, a Sociedade Brasileira de Psicologia Jurídica, o PEN Clube do Brasil… Sabei ainda que visto a armadura da Justiça e empunho a espada da lei, como membro do Ministério Público, instituição altaneira patroneada por Celso Magalhães, imortal desta Casa, a qual tanto tem contribuído para a construção de um Maranhão mais cidadão, a despeito das ações dos Barões de Grajaú hodiernos.
Avizinha-se a hora da nova partida do trem. É hora, pois, dos agradecimentos
A Deus, Senhor de todos os trilhos e comboios da vida. Aos meus pais, Wilson Pires Ferro, desaparecido em 2014, e Eunice Graça Marcília Almeida Ferro, hoje completando 82 anos, meus anjos protetores, condutores de todas as horas, que jamais me deixaram perder a direção ou descarrilar e que me deram asas para voar e tentar repetir o voo de Dédalo: nem tão perto do mar, que me faça negligenciar a grandeza e as alturas do sonho; nem tão perto do Sol, que me faça olvidar as águas frias da realidade e a pequenez da condição humana. A vós, todo o meu amor, todo o meu carinho, todo o meu respeito.
À Academia Maranhense de Letras, na pessoa de seu presidente Benedito Buzar, e aos amigos acadêmicos que, com afeto e tenacidade, promoveram a minha candidatura ou a ela aderiram ativamente em seus momentos embrionários.
A todos os mais de 30 acadêmicos desta Augusta Casa que sufragaram o meu nome em setembro do ano pretérito.
À acadêmica Ceres Costa Fernandes, estimada professora, por haver carinhosamente aceitado o convite para me receber na Academia Maranhense de Letras nesta data.
Ao acadêmico José Maria Cabral Marques, por haver acalentado o meu sonho.
Aos meus saudosos avós, senhores dos caminhos dos Ferros e dos Almeidas.
À família, dos ramos Ferro, Almeida e Meireles, que são o meu porto seguro, e aos amigos, que trazem alegria à minha viagem pelos trilhos da vida.
Aos meus professores do Colégio Santa Teresa, do Colégio Itamarati, dos cursos de Letras e Direito da Universidade Federal do Maranhão – a exemplo das acadêmicas Ceres Costa Fernandes e Sônia Almeida e dos acadêmicos Agostinho Marques, José Carlos Sousa Silva e José Maria Ramos Martins, este já ausente do trem, respectivamente –, do mestrado e doutorado da Universidade Federal de Minas Gerais e da Universityof Oregon, porque, se há uma profi ssão que leva o trem a avançar pela terra, pela serra e pelo mar, é esta a do professor.
Ao Ministério Público do Maranhão, minha locomotiva no exercício do Direito e na busca pela Justiça.
A todos que se fizeram presentes nesta solenidade.
O trem apita na estação. Não devo deixar os passageiros esperando. Tomo a mão de meu pai, embarco com ele no trem e deixo falar em mim o Ferreira Gullar de todos nós:

o que pra ele era rotina
para mim era aventura

quando chegamos à gare
o trem realmente estava
ali parado esperando

muito comprido e chiava
entramos no carro os dois

eu entre alegre e assustado
meu pai (que já não existe)
me fez sentar ao seu lado

talvez mais feliz que eu
por me levar na viagem

meu pai (que já não existe)
sorria, os olhos brilhando

VAARÃ VAARÃVAARÃVAARÃ
tchuctchuctchuc

tchuctchuctchuc

[…]66

Café com pão, bolacha não, café com pão, bolacha não, café com pão, bolacha não, café com pão, bolacha não, café com pão, bolacha não, café com pão, bolacha não, café com pão, bolacha não…67

Café com pão, bolacha não.
Muito obrigada.

(Republicado, por incorreções na edição anterior desta Revista).

NOTAS E REFERÊNCIAS

1 SERRA, Astolfo. A vida simples de um professor de aldeia. Rio de Janeiro, 1944.
p. 111-112.
2 Ver CHAGAS, José. Os azulejos do tempo – patrimônio da humana idade. São
Luís: Sotaque Norte, 1999, p. 181. A poesia referida é o soneto “O Sonho Como
Medida.”
3 Ver TELLES, Lygia Fagundes. A disciplina do amor: memória e fi cção. Posfácio de Noemi Jaff e. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 37-38. O texto
em questão intitula-se O Sonho. Foi Carlos Drummond de Andrade quem chamou os textos curtos de A disciplina do amor de “miniaturas”.
4 SARNEY, Evandro. Aquele verde tão verde: poemas e crônicas. São Luís, 1981.
Estes versos são do poema Cantiga do Começo e do Fim ou 1º Poema no Pórtico
do Meu Cinquentenário.
5 Ainda na primeira infância, morreram Antonieta, Raimundo Nonato, Lauro e
Aquiles. Sobreviveram Wilson, José Ribamar, Waldemar, Mário, Salvador e Maria da Graça.
6 NASCIMENTO, Jorge. Popularidades maranhenses. In: REIS, José Ribamar
Souza dos; CORDEIRO FILHO (Coords.). Perfi l do Maranhão 79. São Luís,

  1. p. 162.
    7 Além de Eunice, Marcos Vinicius e Ducília tiveram mais quatro fi lhos: Maria de
    Nazareth, Therezinha de Jesus, Raimundo e Marcos Vinicius Filho.
    8 COSTA FILHO, Odylo. Boca da noite: poesia. Rio de Janeiro: Salamandra,
  2. p. 36; e COSTA FILHO, Odylo. Poesia completa. Organização de Virgílio
    Costa. Rio de Janeiro: Aeroplano: Fundação Biblioteca Nacional, 2010. p. 75-76.
    Estes versos abrem o poema Ilhéu.
    9 O poeta aludido é Fernando Pessoa.
    10 Ver GULLAR, Ferreira. Toda poesia (1950-1999). 18. ed. Rio de Janeiro: José
    Olympio, 2009. p. 248-249. Referência a versos do famoso Poema sujo.
    11 MORAES, Vinicius de. Livro de sonetos. São Paulo: Companhia das Letras,
  3. p. 23.
    12 Ver GULLAR, Ferreira. Toda poesia (1950-1999). 18. ed. Rio de Janeiro: José
    Olympio, 2009. p. 248-249. Referência a versos do Poema sujo.
    13 Ibidem, p. 246.
    14 SERRA, Joaquim. Textos escolhidos. Academia Brasileira de Letras, Rio de
    Janeiro. Disponível em: www.academia.org.br/academicos/joaquim-serra/textos-escolhidos. Acesso em: 1 out. 2016. Versos extraídos do poema A Missa do Galo.

15 Ibidem.
16 DEL PRIORE, Mary. Beije-me onde o sol não alcança: uma história de amor no
século XIX. São Paulo: Planeta do Brasil, 2015. p. 260.
17 Ibidem, p. 260.
18 Frase extraída de artigo de Machado de Assis, originalmente publicado na Gazeta
de Notícias, Rio de Janeiro, 5.nov.1888.
19 Ver as orelhas, de autoria de Benedito Buzar, do livro de Ignotus [Joaquim Serra].
Sessenta anos de jornalismo: a imprensa no Maranhão. 3. ed. São Paulo: Siciliano, 2001.
20 Trechos extraídos do referido artigo machadiano em homenagem a Joaquim Serra.
21 MONTELLO, Josué. A coroa de areia: romance. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 1984. p. 368.
22 SARNEY, José. Clodomir Cardoso: uma Referência Moral. In: CARDOSO, Clodomir. Senador – Clodomir Cardoso. Brasília: Senado Federal, Subsecretaria de
Edições Técnicas, 1996. p. 7-8.
23 COSTA, fi lho, Odylo. A faca e o rio. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio,

  1. p. 123.
    24 Ibidem, p. 80.
    25 SILVA, Dagmar Destêrro. Parábola do sonho quase vida: poesia. São Luís: Sioge, 1973. p. 43. Versos extraídos do poema Mãos Vazias.
    26 COSTA, fi lho, Odylo. Cantiga incompleta. Prefácio de Heráclio Salles. Rio de
    Janeiro: Livraria José Olympio, 1971. p. 93; e COSTA, fi lho. Poesia completa,
    p. 517. O poema foi originalmente publicado na obra Tempo de Lisboa e outros
    poemas (1966).
    27 COSTA, fi lho. Boca da noite, p.15; e COSTA, fi lho, Odylo. Poesia completa, p.
    57.
    28 Palavras de Manuel Bandeira reproduzidas no livro Cantiga incompleta (1971),
    de Odylo Costa, fi lho (p. 149), extraídas da apresentação da obra Tempo de Lisboa e outros poemas (1966).
    29 Ver ODYLO Costa, fi lho. Academia Brasileira de Letras, Rio de Janeiro. Disponível em: . Acesso em: 1 out. 2016.
    30 Ver a apresentação de Rachel de Queiroz nas orelhas do livro A faca e o rio
    (1965), de Odylo Costa, fi lho.
    31 Ver a segunda orelha do livro Boca da noite (1979), de Odylo Costa, fi lho.
    32 Ver a apresentação de Rachel de Queiroz nas orelhas do livro A faca e o rio
    (1965), de Odylo Costa, fi lho.
    33 COSTA, fi lho. Boca da noite, p. 45; e COSTA, fi lho. Poesia completa, p. 83.
    34 COSTA, fi lho. Boca da noite, p.33; e COSTA, fi lho. Poesia completa, p. 73.
    35 Ver a primeira orelha do livro Boca da noite (1979), de Odylo Costa, fi lho.
    36 MACHADO, Nauro. Nauro Machado. Seleção [de] Hildeberto Barbosa Filho.
    São Paulo: Global, 2005. p. 27. (Coleção Melhores Poemas). Versos extraídos do
    poema O Parto.
    37 Ver CORRÊA, Dinacy. Odylíada: uma lição de amor. São Luís: Eduema, 2015.
    38 SARNEY, Evandro. Aquele verde tão verde. Estes versos são do poema Cantiga
    do Começo e do Fim ou 1º Poema no Pórtico do Meu Cinquentenário.
    39 Versos do soneto Ode a São Bento, reproduzido em: MELO, Álvaro Urubatan.
    Apontamentos para a literatura de São Bento. São Luís: Academia Sambentuense, 2012. p. 87.
    40 SARNEY, Evandro. Aquele verde tão verde. Ver o referido poema Cantiga do
    Começo e do Fim ou 1º Poema no Pórtico do Meu Cinquentenário.
    41 Ibidem. Palavras extraídas da dedicatória da obra.
    42 Ibidem. Versos extraídos do poema Cantiga do Começo e do Fim ou 1º Poema no
    Pórtico do Meu Cinquentenário.
    43 Ibidem. Versos extraídos do poema Cantiga do Começo e do Fim ou 1º Poema no
    pórtico do meu cinquentenário.
    44 O nome completo da esposa de Evandro Sarney era Maria Aglaé Barbosa de
    Araújo Costa.
    45 Evandro Sarney teve os seguintes fi lhos, do primogênito à caçula: Roberto Sarney de Araújo Costa, Conceição de Maria de Araújo Costa (Conci), Tânia Maria
    de Araújo Costa, Evandro Sarney de Araújo Araújo Costa, Sarney de Araújo Costa Neto e Ana Luzia de Araújo Costa.
    46 SARNEY, José. Meu irmão Evandro. Disponível em: . Acesso em: 23 out. 2016.
    47 Ver ANDRADE, Carlos Drummond. No Meio do Caminho. Drummond: 100
    anos. Carlos Machado, 2002. Disponível em: . Acesso em: 2 abr. 2017.
    48 Ver POETA Evandro Sarney Costa morre aos 84 anos de idade. O Estado do
    Maranhão, São Luís, 11 abr. 2016. Geral, p. 12.
    49 SARNEY, Evandro. Cantigas de quebra-mar: poesia e prosa. São Luís: SIOGE,
  2. p.21.
    50 SARNEY, José. Aquele verde tão verde.
    51 Ver o prefácio de Carlos Cunha, intitulado Evandro Sarney, o Cantor da Ilha, em
    SARNEY, Cantigas de quebra-mar, p. 13.
    52 SARNEY, José. Cantigas de quebra-mar, p. 21. Palavras extraídas do poema São
    Luís em Tempo de Louvação.
    53 Ibidem, p. 29. Palavras extraídas de Um Poema Molhado de Mar.
    54 Ibidem, p. 21. Palavras extraídas do poema São Luís em Tempo de Louvação.
    55 Ibidem, p. 22. Palavras extraídas do poema São Luís em Tempo de Louvação.
    56 Ibidem, p. 21. Palavras extraídas do poema São Luís em Tempo de Louvação.
    57 Ibidem, p. 44. Palavras extraídas do poema O Diálogo das Rosas.
    58 Ver SARNEY. Aquele verde tão verde. Os poemas são: Cantiga do Começo e do
    Fim ou 1º Poema no Pórtico do Meu Cinquentenário, Cantiga em Autorretrato
    ou 2º Poema no Pórtico do Meu Cinquentenário, 3º Poema no Pórtico do Meu
    Cinquentenário, 4º Poema no Pórtico do Meu Cinquentenário e Último Poema no
    Pórtico do Meu Cinquentenário.
    50 SARNEY, Evandro; MADEIRA, Carlos. Noite maranhense. Posse de Evandro
    Sarney na Academia Maranhense de Letras. p. 31.
    60 Ibidem, p. 32-33.
    61 Ver o poema The Raven, de Edgar Allan Poe. Poetry Foundation. Disponível
    em: https://www.poetryfoundation.org/poems-and-poets/poems/detail/48860.
    Acesso em: 2 Apr. 2017.
    62 SARNEY. Cantigas de quebra-mar, p. 56. Trata-se do soneto O Urubu.
    63 COSTA, filho. Boca da noite, p. 22; e COSTA, filho. Poesia completa, p. 63.
    Estes versos abrem o poema A Glorious Day.
    64 Ver o poema Tabacaria, de Fernando Pessoa, sob o heterônimo Álvaro de Campos. A magia da poesia. Disponível em: < http://www.poesiaspoemaseversos. com.br/fernando-pessoa-poemas/>. Acesso em: 2 abr. 2017.
    65 FERRO, Ana Luiza Almeida. O náufrago e a linha do horizonte: poesias. São
    Paulo: Scortecci, 2012. p. 30. Versos extraídos do poema Eu.
    66 GULLAR, Ferreira. Toda poesia (1950-1999), p. 247. Versos extraídos do Poema
    sujo.
    67 O parágrafo deve ser lido de modo a imitar a partida de um trem, em ritmo cada
    vez mais rápido e com entonação cada vez mais alta, até atingir um ápice.

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