De como ganhar o mundo e ser ganho por ele

Foi quando o destino embarcado num trem, deslizando em trilhos, me despejou na calçada da estação. De um lado, o mar salpicado de luzes — e não eram estrelas caídas, eram os navios. Do outro, a avenida, os paralelepípedos pavimentando o chão, outros trilhos — e não eram do trem, eram dos bondes, trilhos urbanos singrando a cidade.
O aprendizado da infância, difícil, mas alegre, em Caxias, não cabia na mala de pinho, pintada de preto, forrada de papelão, que eu carregava. Dentro da mala, só os livros e os cadernos da escola e a única muda de roupa, uma calça curta azul e uma camisa branca, aliás a farda do colégio.
Não era só isso o que eu carregava.
Carregava também incontáveis megatons de esperanças e de liberdades. Não sabia direito se o mundo me ganhava ou se eu é que ganhava o mundo. Só sabia que os meus olhos não podiam mais olhar como meni¬no e que, por mais que aprendesse histórias, muito mais precisava saber sobre esta cidade. A cidade iria ter muito a ver com a minha vida

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