Da arte de falar bem

José Chagas é um grande poeta do Maranhão, e dele já temos mais de uma vintena de livros, para felicidade de todos os que apreciam ver a poesia cultivada em timbres de consciente elevação e constante espontaneidade.
José Chagas é também um grande cronista — o mais lido, o mais festejado e o de mais longa permanência no jornalismo maranhense — e dessa permanência, que se estende a um meio século ininterrupto, resultaram, até hoje, apenas dois títulos recolhidos a página menos perecível: os livros Pedra de assunto (Rio: São José, 1961) e Às armas e os barões assassinalados (São Luís: Sotaque Norte, 2000). A simples distância na data em que essas duas obras vieram a lume evidencia certo esquecimento ou descaso editorial, que se pode repartir entre razões de origem e peso imponderáveis: o relativo desprestígio da crônica em relação ao poema; a notória escassez de interesse, na Província e no País, por se imprimir a que tão constitua demanda imediata e digestão fácil no mundo livreiro; e a desimportância que o próprio Autor tem atribuído a seu trabalho na imprensa cotidiana, bastando saber que, desse material, ele quase não guardava sequer os originais.

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