Poeta Evandro Sarney Costa morre aos 84 anos de idade

Escritor era membro da Academia Maranhense de Letras, foi auxiliar direto do Governador Eugênio Barros e foi eleito deputado estadual diversas vezes; sepultamento foi na tarde de ontem no Cemitério Parque da Saudade
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Aos 84 anos, morreu ontem, de falência múltipla de órgãos, o escritor e poeta Evandro Sarney Costa, irmão do ex-presidente José Sarney. O ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e Membro da Academia Maranhense de Letras (AML) deixou três filhos, sendo três homens e três mulheres. Era apaixonado pela literatura, inclinando-se para crônicas, contos, artigos e ensaios, e ocupava a cadeira de número 12 na AML, onde tomou posse em 1980. Era também membro da Academia de São Bento, terra onde nasceu.

O corpo de Evandro Sarney foi velado na Central de Velórios da Pax União, na Rua Oswaldo Cruz, e sepultado ao fim da tarde, no Cemitério Parque da Saudade, no Vinhais, onde se dirigiram familiares, amigos, ex-colegas de trabalho, políticos e imortais da AML, todos querendo prestar homenagens.

O irmão e ex-presidente José Sarney estava em Brasília, e desembarcou por volta das 15h, indo diretamente para o velório. “O meu irmão era um homem bom, muito inteligente e capaz. Era um grande intelectual e em vida passou por muitos percalços ao longo do tempo, mas hoje, sem dúvida, está no céu liberto de todas as suas angústias”, disse o ex-presidente José Sarney, que chegou acompanhado de Dona Marley Sarney.

Acompanhamento –Segundo familiares, há oito meses Evandro Sarney Costa recebia acompanhamento médico em sua residência. Para o irmão Ivan Sarney, também membro da AML, Evandro Sarney era um grande poeta. “Ele era mais velho do que eu 16 anos e por isso não compartilhamos da mesma juventude, mas acompanhei boa parte de seu mandato de deputado, até o momento em que teve um acidente grave, na década de 1950. Embora não tendo deixado sequelas, esse acidente o desmotivou de prosseguir na política, dedicando-se, assim, à família e à literatura. Em vida, tinha amor à natureza e às pessoas. Era muito ligado aos valores da vida”, disse.

Auxiliar direto do governador Eugênio Barros, Evandro Sarney elegeu-se deputado estadual, cargo que ocupou diversas vezes no período de 1954 a 1970. Apesar da carreira política, a maior dedicação era a literatura. Era também jornalista e orador eloquente, qualidade que revelaria em comícios políticos de praça pública e na Tribuna da Assembleia Legislativa do Maranhão. Colaborou em diversos órgãos da imprensa e foi em jornais e revistas que publicou grande parte de sua produção poética. Entre os livros lançados destacam-se “Cantigas de quebra-mar” (poesia e prosa); “Noite maranhense” (discurso de posse na AML; coautoria com Carlos Madeira) e “Aquele verde tão verde” (poemas e crônicas). São Luís: 1981.

O presidente da AML, Benedito Buzar, disse que Evandro Sarney será lembrado como um atuante. Contou que quando ainda frequentava a Casa de Antônio Lobo, nunca deixara de participar dos debates e mesmo depois de ter se afastado, por conta de sua saúde, sempre perguntava sobre a Instituição. “A cadeira dele na AML tinha como patrono Joaquim Serra e fundador, Clodomir Cardoso. Antes, havia sido ocupada por Odylo Costa, filho. Assim sendo, tomou o lugar de outro brilhante poeta. Sem dúvida, deixará muitas saudades”, declarou Benedito Buzar.

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