Homenagem ao mestre na Academia Maranhense de Letras

Há meio século, partia o professor Jerônimo José de Viveiros, historiador que legou à posteridade importantes trabalhos literários que destacam a história do Maranhão
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SÃO LUÍS – Neste fim de ano das campanhas justas, a Academia Maranhense de Letras (AML) também se curva em justa homenagem à valiosa obra deixada por um dos mais brilhantes educadores maranhenses. Falecido há meio século, o professor e historiador Jerônimo José de Viveiros é um nome que enche de orgulho os imortais da Casa de Antônio Lobo. O emérito educador, falecido em 29 de novembro de 1965, aos 81 anos, ganhou destaque especial neste mês de novembro, quando seus feitos e projeções além-fronteiras são relembrados por seus conterrâneos homens de letras, os mesmos que agora reúnem esforços para pleitear, juntos aos poderes públicos, o devido reconhecimento a quem, em vida, entregou-se com imensurável dedicação ao labor do magistério em prol do futuro do Maranhão.

Jerônimo José de Viveiros, que foi diretor do Instituto Viveiros, estabelecimento de ensino secundário, exerceu os cargos de Catedrático de História Universal do antigo Liceu Maranhense, de professor de História Antiga na Faculdade de Filosofia de São Luís, de inspetor do ensino municipal, diretor da Imprensa Oficial e diretor da Instrução Pública do Estado. Era sócio efetivo da AML e do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, além de consultor técnico do Diretório Regional de Geografia do Maranhão. No Rio de Janeiro, foi professor dedicado de História Universal do externato do Colégio Pedro II.

De acordo com Benedito Buzar, presidente da AML, o Maranhão deve e muito ao professor Viveiros. Ele ressalta ainda que mesmo assim,para muitos, o educador é um desconhecido que dá nome, por exemplo, a uma rua no bairro Alemanha, a uma travessa no São Cristóvão e a duas escolas. “Exatamente por isso que iremos solicitar à Prefeitura de São Luís que seu nome seja fincado em uma das praças principais da cidade”, disse Benedito Buzar.

Obras
Jerônimo José Viveiros é um dos nomes mais pesquisados em São Luís, legando ao Maranhão e ao Brasil obras como “História do Comércio do Maranhão” (quatro volumes), “Benedito Leite – um verdadeiro republicano”, “Alcântara em seu passado econômico, social e político” e “A história da instrução pública do Maranhão”, entre outras, todas elas servindo de fonte para pesquisas acadêmicas.

No primeiro livro, o professor nos traz dados relativos à exportação e importação, preços médios, mínimos e máximos, abertura e encerramento de atividades comerciais, estabelecimentos de crédito, campanhas de produção e diversas iniciativas empresariais que de algum modo têm a ver com a faina mercantil.

Conforme escrevera Jomar Moraes a respeito de tal livro, “nada, a bem dizer, escapou à capacidade de observação de Jerônimo de Viveiros, que dota de graça e movimento essa importante obra, ao enriquecê-la com detalhes curiosos, episódios expressivos e até anúncios muito interessantes, dos quais, por sinal, faz reiteradas transcrições, e até nos devolve integralmente, mediante reprodução fac-similar”.

Benedito Buzar informou que há interesse, por parte da instituição, de reeditar os quatro volumes de “História do Comércio do Maranhão”, em parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Vale e Associação Comercial do Maranhão. E também “Quadros da Vida Maranhense”, esta por meio da Editora do Senado Federal.

Figura representativa no Maranhão, o professor foi também homem perseguido, na época do Estado Novo, pelo interventor Paulo Martins de Sousa Ramos, que não somente mandou prendê-lo como o demitiu do cargo de professor Catedrático de História do Liceu Maranhense. Como abriu inquérito, acabou demitido. Recentemente, o médico e ex-reitor da UFMA, Natalino Salgado Filho, em artigo publicado em O Estado, defendeu um olhar das novas gerações sobre o mestre Jerônimo José Viveiros, merecedor de um capítulo na história do Maranhão pelo seu legado.

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