O pesquisador Jomar Moraes e sua paixão pelos livros

O escritor Jomar Moraes apresenta seu mais novo livro, “Pretexto para pré-textos”, depois de oficializar, junto à Universidade Federal do Maranhão, a doação de sua biblioteca com mais de 30 mil títulos, alguns raros
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O pesquisador Jomar Moraes não esconde de ninguém sua paixão pelos livros. Em sua biblioteca, montada no andar superior de sua casa, ele passa os dias entre volumes, ora manuseando, ora lendo, ora pesquisando para seus trabalhos de editor e escritor. Foi neste cenário que nasceu seu último livro, “Pretexto para pré-textos”.

Trata-se da reunião de alguns dos muitos prefácios que escreveu durante sua longa carreira de escritor e editor cultural. É uma coletânea de 13 ensaios recém-saídos do forno e que chega ao mercado de forma discreta, já que o autor não planejou lançamento oficial. O livro surge logo após a notícia da doação do acervo do escritor – contabilizado em mais de 30 mil volumes, alguns raríssimos – para a Universidade Federal do Maranhão.

“Pretexto para pré-textos” surgiu a partir de um comportamento observado – e em alguns momentos compartilhado – pelo próprio escritor. “Vejo que as pessoas não se detêm em pré-textos, elas geralmente pulam esta parte e vão direto para o texto, propriamente dito. Assim, pensei em reunir alguns dos muitos prefácios que escrevi de forma a transformá-los, observe, no próprio texto”, explica Jomar Moraes.

A publicação reúne prefácios de livros como “Alcântara no seu passado econômico, social e político” (4ª edição); “Maranhão 1908” (2ª edição); “Folhinha de algibeira para o ano de 1843” (edição de 1992); “Crônica da Companhia de Jesus no Maranhão” (edição de 1995), entre outros. Para pinçar os prefácios, Jomar Moraes conta que os escolheu de forma quase aleatória e que foram selecionados com base em critérios pessoais.

Autor de muitos outros livros, a exemplo de “Guia de São Luís do Maranhão”, “O rei touro e outras lendas maranhenses”, “Apontamentos de literatura maranhense”, Jomar Moraes já publicou mais de uma centena de obras, tendo sido agraciado com 11 prêmios literários. É membro da Academia Maranhense de Letras, instituição que presidiu por 11 mandatos consecutivos, tendo ocupado o cargo por 22 anos.

Seu confrade na AML, José Louzeiro, assina a contracapa de “Pretexto para pré-textos” e escreveu: “No trabalho de Jomar Moraes impressiona o resgate que faz do nosso lendário e da mescla que, forçosamente, acaba se evidenciando, entre ocorrido e imaginado. Ficção e realidade”.

Biblioteca

Amante inveterado da literatura e dos livros, Jomar Moraes é dono de uma das maiores e mais ricas bibliotecas particulares do Maranhão. Esse acervo foi doado, mês passado, para a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), instituição da qual Jomar Moraes foi, por nove anos, procurador-chefe.

Ele explica que os volumes não serão imediatamente transferidos para a UFMA. “Isto só será feito após minha morte. Doei os livros, mas sou o fiel depositário do acervo”, explica o escritor. Jomar Moraes conta que escolheu a Universidade para receber seus livros pelo fato de a Academia Maranhense de Letras não ter um espaço físico para abrigá-la. “Nem mesmo recursos para obtê-lo”, frisa o escritor.

Amigo do atual reitor da UFMA, Natalino Salgado, ele conta ainda que percebeu um grande interesse da instituição, por intermédio do reitor, em receber os volumes. “Outra situação que me fez optar pela doação foi o descaminho que muitas bibliotecas, de pessoas que conheci e convivi, tiveram depois de suas mortes. Muitas foram desfeitas, outras foram sendo divididas e não quero que isto aconteça com meu acervo”.

Raridades

Na vasta biblioteca do maranhense figuram obras raras, de grande valor histórico e literário que foram sendo adquiridas ao longo de anos e garimpadas em sebos de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo durante viagens. “Viajei muito no passado e sempre visitava os sebos. Como os donos viam meu interesse, sempre que tinham algo que julgavam interessante, entravam em contato, avisavam. Outros foram chegando por meio de doações de amigos”.

Foi em um sebo, na cidade de São Paulo, que ele adquiriu o raríssimo exemplar de “A Fidelidade Maranhense”, o livro foi impresso na primeira tipografia instalada no estado, a Typographia Nacional, em 1826. “Acredito que esta seja a única edição deste livro no Maranhão”. A publicação aborda, entre outras coisas, a independência do Brasil pelo Reino de Portugal e Algarves.

Um dos mais antigos da coleção é “Annaes históricos do Estado do Maranhão”, de Bernardo Pereira de Berredo, datado de 1749. O livro é o primeiro a abordar, de maneira sistemática, a história do Maranhão e pertencia a Domingos Perdigão, fundador da escola de Direito do Maranhão. “Deste livro existem cinco edições, sendo que a segunda, fac-similar, foi feita 100 anos de pois da primeira e eu tenho todas”, destaca o professor.

Na biblioteca há uma estante destinada somente às obras completas de Gonçalves Dias, em suas mais diversas edições. Uma das mais antigas é uma edição alemã de “Cantos”, datada de 1865. “Não posso dizer que tenho livros de minha preferência, todos são”, confessa Jomar Moraes acrescentando que cerca de 20% de seu acervo é destinado a autores maranhenses.

Serviço

O quê

Livro “Pretexto para pré-texto”, de Jomar Moraes

Onde comprar

Livraria da Academia Maranhense de Letras, Rua da Paz, Centro

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