Com honras ao poeta

Ensaísta, poeta e professor Ricardo Leão ministra hoje palestra, às 19h, na Academia Maranhense de Letras, em homenagem ao aniversário de 80 anos do poeta Nauro Machado
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Em homenagem ao aniversário de 80 anos do poeta maranhense Nauro Machado, que será celebrado no próximo domingo, 2, o poeta, ensaísta e professor universitário Ricardo Leão apresentará hoje, às 19h, na Academia Maranhense de Letras (AML), na Rua da Paz (Centro), a palestra “A obra de Nauro Machado em seus 80 anos”, oportunidade em que fará uma análise geral sobre o trabalho do conterrâneo. O palestrante nasceu em São Luís, mas em 1998 migrou para São Paulo, levado pelo mestrado na Unesp (São Paulo). Depois, concluiu Doutorado em Campinas (SP), sobre “Teoria e História Literária”. O Pós-Doutorado fez na Universidade Federal de Santa Maria (RS).

A palestra de hoje será um misto de análise com elogios. Ricardo Leão tornou-se admirador da obra de Machado a partir da leitura de vários de seus poemas, cujos conteúdos lhe chamaram bastante atenção pelo caráter existencialista e por abordar os mais diversos temas. A curiosidade em entender o pensamento do autor de maneira mais profunda levou o ensaísta a produzir trabalhos os quais foram publicados em jornais e revistas.

Ricardo Leão assina o prefácio do mais recente livro de Nauro Machado, “Percurso de Sombras”, publicado em 2013. Para ele, não se trata de um simples versejador. Nauro, por imprimir alto teor existencial aos seus poemas, é comparado a Fernando Pessoa. Por outro lado, sua obra, em termos de originalidade, assemelha-se ao que produz Augusto dos Anjos. “Nauro Machado escolheu um estilo único e sua obra foge de todos os parâmetros culturais, sendo, por essa razão, podendo ser comparado a Augusto dos Anjos”, analisa o ensaísta, que destaca “O Cirurgião de Lázaro” como uma das mais profundas obras de Nauro Machado.

Verso – Para Leão, a grandeza da obra do poeta é marcante em razão também de ele ter apostado no verso metrificado, tendo uma produção gigantesca de sonetos, com conteúdos extremamente inquietantes, ritmos embriagantes e metáforas angustiantes. “Acredito que os sonetos produzidos por Nauro Machado estão prestes a somar dois mil, o que prova sua vasta produção. Em ‘Nau de Urano’, por exemplo, há cerca de 900 sonetos”, completa.

Conforme Leão, os poemas suscitam uma reflexão existencial e não são fáceis de compreender. Logo, diz-se que o trabalho de Nauro é exigente e pressupõe uma leitura mais consistente. “Ele nos traz elementos como a morte, a vida, o ‘eu’ e até o sexo, mas sem ser erótico. Ele fala do sexo para falar da morte”, explica Ricardo.

O ensaísta lamenta a pouca visibilidade para a obra de Nauro Machado em nível de Brasil, haja vista a sua grandeza. Mas isto, segundo ele, está relacionado a um contexto maior e que está ligado aos hábitos de leitura no país. “As pesquisas mostram que sete em cada 10 brasileiros não leem. As bibliotecas estão fechadas. Há cinco mil municipais no Brasil que não dispõem de bibliotecas”, disse.

Ricardo Leão é professor da Universidade Estadual do Centro-Oeste, no Paraná, onde leciona no Curso de Letras e na Pós-Graduação em Letras e História. Ganhou o prêmio da Academia Brasileira de Letras com o trabalho “Os atenienses e a invasão do cânone nacional”. Entre outras coisas, atualmente está trabalhando na republicação de “Um livro de Crítica”, de Frederico José Corrêa. Já escreveu três livros de poesia e está indo para o quarto, “A plumagem do Silêncio”. É também conselheiro editorial da Paco Editorial, para a qual também desenvolve projetos.

SERVIÇO

O quê

Palestra “A obra de Nauro Machado em seus 80 anos”

Quando

Hoje, às 19h

Onde

Academia Maranhense de Letras (Rua da Paz)

Fonte: http://imirante.com/

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