Relembrando Odylo Costa, filho

Escritor, jornalista e político, o maranhense, se vivo, completaria hoje 100 anos; para homenageá-lo o senador José Sarney fará palestra amanhã na AML
\"\"

Hoje, 14 de dezembro, é lembrado o centenário do escritor Odylo Costa, filho. Para marcar a data, uma programação alusiva à vida e obra do ilustre maranhense será realizada amanhã na Academia Maranhense de Letras (AML). Na sessão solene, o senador José Sarney, decano da Casa de Antônio Lobo e confrade de Odylo na Academia Brasileira de Letras (ABL), fará uma palestra exaltando o homenageado.

Haverá também lançamento da coletânea Seleta Poética de Odylo Costa, filho, organizado por Jomar Moraes. Já no Centro de Criatividade (Praia Grande), que leva o nome do escritor, será montada uma exposição alusiva ao centenário, com abertura às 18h30 de amanhã.

Durante sua palestra o senador José Sarney destacará a figura do jornalista, cronista, novelista e poeta que marcou seu nome na história das letras do Maranhão. Sarney deverá exaltar também o político Odylo Costa, filho.

Nesta seara, o maranhense merece reconhecimento. Em 1970 foi eleito suplente de José Sarney para o Senado Federal. Um dos próceres da UDN, Odylo Costa, filho foi, de acordo com o pesquisador e escritor Benedito Buzar, um dos responsáveis pelo ingresso de José Sarney no partido. “Odylo foi figura importante na redemocratização do país. Embora nunca tenha exercido nenhum cargo político no Rio de Janeiro, onde morava, tinha presença forte na UDN e foi convidado por Sarney para ser seu suplente ao senado na época”, relembra o presidente da Academia Maranhense de Letras, Bendito Buzar.

Este e outros fatos da trajetória do autor de Cantiga incompleta podem ser vistos na exposição que será aberta amanhã, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho. A exposição constará de imagens da vida e obra do escritor, dispostas em uma linha do tempo pousando ao lado da família, no trabalho, com os amigos, na Academia Brasileira de Letras, onde ocupava a cadeira número 15.

Poesias e cartas e fotos de livros também estão à mostra em registros impressos em painéis de cerca de 1,80 m, coloridas. Concomitante com a exposição vai ser reinaugurado o painel de fotos colocado no foyer do cinema, logo na entrada do Centro. Também será descerrada uma placa alusiva aos 100 anos de nascimento do Odylo Costa, filho.

Vida – Odylo Costa, filho nasceu em 14 de dezembro de 1914, em São Luís. Filho de Odylo Costa Moura Costa e Maria Aurora Alves Costa mudou-se para o Piauí ainda na infância. Os laços afetivos com o estado do Piauí tornaram-se ainda maiores em virtude do seu casamento com Dona Maria de Nazareth Pereira da Silva Costa, com quem se casou em 1942, sob a bênção de três poetas: Manuel Bandeira, Ribeiro Couto e Carlos Drummond de Andrade, padrinhos do casamento.

Aos 16 anos, fixou-se com a família no Rio de Janeiro, bacharelando-se em Direito, pela Universidade do Brasil. Como jornalista, trabalhou na redação do Jornal do Commercio, fundador e diretor do semanário Política e Letras, redator do Diário de Notícias, diretor de A Noite e da Rádio Nacional, chefe de redação do Jornal do Brasil, diretor da Tribuna da Imprensa; diretor da revista Senhor; secretário do Cruzeiro Internacional e diretor de redação de O Cruzeiro.

Como escritor, publicou o livro Graça Aranha e outros ensaios, em 1933, obtendo o Prêmio Ramos Paz da Academia Brasileira de Letras no ano seguinte. Em 1936, em colaboração com Henrique Carstens, publicou o Livro de poemas de 1935, seguido, nove anos mais tarde, do volume intitulado Distrito da confusão, coletânea de artigos de jornal em que, nas possíveis entrelinhas, fazia a crítica do regime ditatorial instaurado no país em 1937.

Aos 50 anos de idade, publicou a novela A faca e o rio, em 1965, traduzida para o inglês pelo professor Lawrence Keates, da Universidade de Leeds, e para o alemão por Curt Meyer-Clason, sendo esta obra adaptada para o cinema alemão por George Sluizer. Também publicou os livros de poesia Tempo de Lisboa e outros poemas (1966), Cantiga incompleta (1971), Os bichos do céu (1972), Notícias de amor (1974) e Boca da noite (1979). Ainda publicou os livros Maranhão: São Luís e Alcântara (1971) e Fagundes Varela, nosso desgraçado irmão (1975).

Colhendo os louros do campo literário, Odylo Costa, filho foi eleito membro da Academia Maranhense de Letras, em 1953, sucedendo o jurista, escritor e político maranhense, Clodomir Cardoso. Em 1969, foi eleito para a cadeira 15, que tem como patrono o poeta Gonçalves Dias e fundador Olavo Bilac, na Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Guilherme de Almeida, sendo recebido em 24 de julho de 1970 pelo acadêmico Peregrino Júnior.

Na carreira política, foi secretário de Imprensa do Presidente Café Filho, diretor da Rádio Nacional, superintendente das Empresas Incorporadas ao Patrimônio da União e eleito para suplente, no Senado Federal, de José Sarney.

Em 2014 o escritor de A faca e o rio recebeu muitas homenagens em São Luís. “Odylo foi um literário diversificado, pois fez ensaios, poemas, poesias, crônicas, novelas… Foi um dos maiores jornalistas do país sendo responsável por uma grande revolução na imprensa. É mais do que nossa obrigação prestar estas homenagens em culto a sua pessoa”, destaca a diretora do Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Ceres Costa Fernandes, que no decorrer do ano realizou exibição de filme e documentário, além palestras e um Café Literário alusivo ao maranhense.

O professor Jomar Moraes destaca que Odylo Costa, filho, era apaixonado por sua terra natal, cujas glórias culturais honrou sobremaneira. “Jornalista de nomeada nacional, prosador de grandes recursos e poeta de uma lírica suave e encantadora, Odylo era, também pessoalmente, uma pessoa fascinante pela jovialidade, disposição para fazer-se amigo e fazer amigos, em resumo – uma figura humana admirável e por isso, rara”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Carrinho de compras