Relicario de Burnett

Títulos do escritor e jornalista Lago Burnett foram entregues à Academia Maranhense de Letras por sua viúva, Maria José Burnett.

\"imgBinary\"Os 2.596 títulos que compunham a biblioteca do escritor e jornalista maranhense Lago Burnett foram doados à Academia Maranhense de Letras (AML) por sua viúva, Maria José Burnett, a Zezé. As obras – que vieram do Rio de Janeiro, onde Burnett se radicou por anos – ainda não estão à disposição do público, pois será necessário um espaço para acomodá-las.

O presidente da AML, Benedito Buzar, explica que os imortais estão em busca de um prédio para que este se torne um anexo da Casa de Antônio Lobo, que tem sede na Rua da Paz, Centro de São Luís. “Nossa biblioteca na Academia está cheia. Estamos em busca de outro lugar, de preferência perto da AML, para abrigar este e outros acervos que, assim que possível, serão abertos para estudantes, pesquisadores e leitores”, frisa Buzar.

Enquanto a instituição não dispõe do espaço, as obras estão guardadas na casa do acadêmico Sebastião Moreira Duarte. “Por ora estes livros ficarão lá até que se encontre outro lugar”, assegura Buzar.

Zezé Burnett explica que a vontade do esposo era de que os livros ficassem com os filhos. “Mas as circunstâncias não permitiram, então, em acordo com eles, decidi doar para a Academia Maranhense de Letras, da qual ele fez parte e sei que ficarão em excelentes mãos”, justifica a viúva.

Para ela, o ideal seria que o acervo fosse acomodado em um espaço que pudesse levar o nome de Lago Bunertt. “Ele morou no Rio, mas o coração dele nunca saiu do Maranhão, era apaixonado pelo estado”, relembra Zezé Burnett.

A viúva de Lago Burnett diz que, ao sugerir a doação, a ideia foi prontamente aceita pela AML. “Assim os livros ficarão acondicionados de forma adequada e outras pessoas poderão ter acesso a eles”, pondera.

Acervo – A maioria dos títulos doados são de literatura brasileira e maranhense, mas há também publicações sobre outros temas, o que demonstra a riqueza cultural do escritor. Assim, figuram na estante de Bunnet livros de ciências, arte, filosofia, história, poesias, jornalismo, ética, política, português e gramática e também guias e enciclopédias.

Entre os títulos catalogados estão clássicos como Ilíada e Odisséia, de Homero; Alexandre e César: vidas comparadas, de Plutarco; Arte retórica e arte poética, de Aristóteles; entre outros. Dos conterrâneos, Burnett guardava escritos de autores como Dunshee de Abranches, Bernardo Coelho de Almeida, Josué Montello, João Mohana, Jomar Moraes, Joaquim Itapary e outros confrades da AML.

Além dos livros, deverão chegar – também aos cuidados da AML, outros guardados do jornalista. “Pretendo ainda mandar algumas coisa dele que ainda tenho, como revistas, jornais e álbuns de crônicas e entrevistas que concedeu. Também pretendo doar estes documentos para a Academia”, adianta Zezé Burnett.

Ela enfatiza que gostaria muito de poder estar presente quando o espaço para a biblioteca do marido estivesse pronta. “Mas não sei se será possível, por conta da idade, não estou viajando tanto”, lamenta.

Intelectual – A vasta biblioteca mostra um pouco do intelectual José Carlos Lago Burnett. Nascido em São Luís em 1929, morreu no Rio de Janeiro em 1995. Adotou como nome literário e jornalístico Lago Burnett.

Escritor, poeta, ensaísta e cronista, exerceu no Maranhão e no Rio de Janeiro as funções de repórter, cronista, redator, chargista, editor e editorialista. Em São Luís, a partir de 1949, escreveu nos jornais Diário de São Luís, Jornal do Povo, Jornal do Dia, O Combate, O Globo (Diários Associados), A Tarde e Jornal do Dia.

No Rio de janeiro, trabalhou na Rádio Jornal do Brasil e no Jornal do Brasil, onde foi redator, chefe de copy-desk, secretário de redação, colaborador do Caderno B, cronista literário, editor de Suplemento do Livro, editorialista, analista de edição. Trabalhou ainda nas revistas O Cruzeiro e Manchete.

Foi uma das mais expressivas figuras do jornalismo brasileiro e maranhense, além de excelente poeta. Como ensaísta, prestou grande contribuição à área de comunicação, particularmente ao jornalismo.

Publicou Estrela do Céu Perdido (AML, 1999, 2a ed. [1949]), O Ballet das Palavras (1951), Os Elementos do Mito (1953), 50 poemas de Lago Burnett (Ed. São José, 1959) e O Amor e seus Derivados (Alhambra, 1984), além de outros títulos em prosa.

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