A trilha do poeta

\"imgBinary\"As lembranças da dor e superação do poeta Nauro Machado estão traduzidas em versos no livro O Esôfago Terminal, que será lançado hoje, às 19h, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho (Praia Grande). O título, que tem 284 poemas elaborados durante sua estadia no Hospital Casa São José, no Rio de Janeiro, para tratamento de um carcinoma no esôfago, é publicado pela Editora Contraponto.

A obra traz revisão e design gráfico de Frederico Machado; editoração do imortal da Academia Maranhense de Letras, Lino Raposo Moreira; e sinopse do poeta, ensaísta e tradutor Fernando Py. Segundo o poeta, além desse título, guarda seis livros concluídos: Um oceano particular, Canções de roda nos pés da noite (um poema de aproximadamente 5 mil versos) e O pombo negro dos só/brados.

O poeta destaca que lugar melhor para lançar sua mais recente obra não poderia ser outro que não o Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, onde há um espaço cultural dedicado a ele. “Como sempre ou quase sempre aproveitei o espaço da Praia Grande para lançamento dos meus livros, sobretudo agora em que a professora Ceres Costa Fernandes, diretora do Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, vem executando o seu belo projeto cultural através de escritores por ela convidados para nele fazer conferências perante um grande público ainda interessado em literatura contemporânea, quis apresentar aos poucos amigos, que considero muitos, o meu último livro de poesias intitulado O Esôfago Terminal”, relatou.

Preocupação – O livro recolhe poemas elaborados mentalmente durante sua estadia no hospital. Ao sair recuperado, transcreveu para o papel.

“Esses poemas, como quase todos os que escrevo, foram criados mentalmente, estrofe após estrofe, sem necessidade alguma de lápis ou qualquer aparelho eletrônico, possuidor que sou de uma memória extraordinária. Mesmo doente e debilitado, eu fui escrevendo estrofe após estrofe para somente algum tempo depois reescrevê-lo em sua totalidade para sua publicação em livro”, garantiu o poeta.

Machado faz questão de mencionar que espera que na noite de hoje os amigos possam fazer-se presentes ao lançamento.

“Indo ao contrário do que Gertrude Stein dizia ‘vocês pertencem a uma geração perdida’, eu, escritor provinciano, posso dizer agora o contrário: nós, sim, pertencemos a uma geração a ratificar plenamente o que o meu querido Bernardo Coelho de Almeida, grande poeta e prosador, hoje injustamente esquecido, proclamou em um dos seus mais belos livros em prosa, que ‘éramos felizes e não sabíamos’. E por eu sabê-lo e querendo voltar àquele tempo com o lançamento agora deste livro pediria, talvez, perdão àquelas pessoas que lá forem me prestigiar por não querer fazê-las cúmplices de uma possível manifestação minha em favor apenas da obra literária que faço”, disse.

Amante de São Luís, o poeta garante que ainda lhe resta fôlego para escrever e investir horas na tarefa de refletir sobre os contextos sociais pela poesia.

“Continuo, contudo, empenhado no que farei até o fim da minha vida: publicar por meio de qualquer oportunidade que me faça apresentar esses livros que foram feitos por uma necessidade incoercível profundamente arraigada naquilo que constitui o meu destino que sei desde sempre, será cumprido até o final da minha existência física”, certificou Machado.

“Espero que os meus poucos, e que são muitos, que já dizem meus amigos inseparáveis, irmãos de bebedeira ou não, companheiros de angústias e alegrias, se façam presentes para juntos comemorarmos aquilo que já se constitui um tempo transcorrido há mais de 60 anos. Agradeço as páginas do jornal O Estado pelas oportunidades que me têm sido dadas para neste jornal expressar meus profundos agradecimentos a tudo o que sou e que revelam sem pejo algum aos leitores que o Maranhão permaneça para sempre através dos seus filhos poetas”, assinalou.

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