Um construtor da Humanidade

\"\"Um rico legado e três dimensões de excelência. Um médico competente, um escritor brilhante e um padre cativante. Adjetivos que fazem jus à brilhante trajetória e à ampla herança do maranhense João Mohana, objeto do seminário 90 Anos do Padre João Mohana: Ecos de Seu Pensamento, que acontece hoje, às 19h, no Auditório do Conselho Regional de Medicina (Renascença II). A iniciativa é do grupo católico de estudo do evangelho Caminho do Meio, que ao completar seis anos de existência, promove este evento para unir espiritualidade e arte, fé e cultura. O evento será aberto ao público.

“No processo de montagem do evento descobrimos que as pessoas em São Luís têm uma memória individualizada do padre Mohana, com vários testemunhos para contar. Mas não existe na cidade uma memória coletiva desse grande maranhense. Por isso, o desafio transformou-se na realização de um sonho: celebrar a fé e a beleza, presentes na vida do padre João Mohana e, assim, dar início à comemoração dos seus 90 anos”, explica a jornalista Tereza Nascimento, fundadora do grupo e uma das organizadoras do seminário.

Além de palestras sobre as facetas de Mohana, o evento terá a exibição do documentário Academia da Memória – Homens e Imortais, realizado pelo Museu da Memória Áudio Visual do Maranhão (MAVAM), com direção de Francisco Colombo e direção geral de Joaquim Haickel. O toque de arte que tanto agradava Mohana ficará por conta da execução da música Ladainha, de Antônio Rayol, recolhida pelo padre João Mohana no seu livro A Grande Música do Maranhão, a ser interpretada pelos professores da Escola de Música do Estado do Maranhão (EMEM) Joaquim Santos (violão) e Paulo Santos (flauta).

Participarão da mesa-redonda como palestrantes convidados, para a abordagem das diferentes dimensões do homenageado, o radialista Robson Júnior, membro da Juventude Autêntica Cristã, que falará sobre o legado do Padre Mohana; a escritora Arlete Nogueira, que abordará o intelectual e autor João Mohana, e José Antonio Mohana Pinheiro, que discorrerá sobre o médico Mohana. Para a mediação dos debates, participará a professora da UFMA, Deborah Baesse.

“O meu contato com ele começou com um convite de um integrante da JUAC (Juventude Católica). Entrei para o grupo no final dos anos 1970. Foi por meio de leituras na igreja que o padre me escolheu para fazer parte de um programa na Rádio Educadora, o Para Onde Vais. Foi ele também que me colocou diante de plateia para minha primeira palestra, o que aconteceu em 1980, na cidade de Chapadinha”, revela o radialista Robson Júnior.

Lembrança – Outra lembrança vem do sobrinho do padre, o engenheiro José Antonio Mohana. “O seu trabalho voluntariado como médico era dedicado ao consultório no Hospital Infantil, no qual preenchia todo o seu tempo em consultas. Mas a sua maior obra foi operada na medicina da alma, ainda praticada pelos seus livros”, revela.

Para a escritora Arlete Nogueira da Cruz, a importância do padre João Mohana como escritor é significativa, pois guarda uma esplêndida gama de valores literários, espirituais e sociais. “Lembro o romancista de O Outro Caminho (Prêmio Coelho Neto da Academia Brasileira de Letras, em 1952) e Maria da Tempestade, livros de alto valor, com dicção moderna e o absoluto domínio da arte romanesca. Lembro o teatrólogo, com peças encenadas no Maranhão e fora dele, alcançando o merecido sucesso e respeito público. Mas, principalmente, lembro o ensaísta, o obstinado apologista, autor de mais de 40 títulos através dos quais convocou e orientou seus leitores no sentido de desenvolver uma consciência crítica, mais rica e saudável, para a obtenção da desejada convivência humana verdadeiramente fraternal e justa”, atesta a escritora.

Mohama percebia a alma humana, na qual a variação de cores nunca é exatamente a mesma. O trecho reproduzido em O Outro Caminho reflete a convicção do romancista: Cada indivíduo é único. Uma palavra de Deus que não mais se repete.

O orientador espiritual do grupo Caminho do Meio e um dos organizadores do evento, padre Djalma Lúcio, lembra que Mohana deixou um legado metafórico para os futuros padres e seminaristas. “Soube, e depois vi de perto, que ele plantou duas árvores no jardim do Instituto de Estudos Superiores do Maranhão, uma que crescia para o alto, lembrando da nossa ligação com o sagrado, e outra que crescia para os lados, formando uma copa, que nos remitia ao conhecimento humano”, revela o padre Djalma Lúcio.

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