AML recebe hoje novo imortal na cadeira n° 23


Luiz Phelipe Andrès toma posse hoje, às 20h, na cadeira número 23, que tem como patrono Graça Aranha

\"luiz2\"O engenheiro e pesquisador Luiz Phelipe Andrès é o mais novo membro da Academia Maranhense de Letras (AML). Eleito em junho do ano passado para a cadeira número 23, ele toma posse hoje, às 20h, em solenidade na sede da Casa de Antônio Lobo e será recebido pelo confrade Lino Moreira, que fará o discurso de saudação.

O novo imortal ocupará a vaga cujo último ocupante foi José Joaquim Ramos Filgueiras. A cadeira número 23 tem como patrono Graça Aranha e o fundador é Clodoaldo Cardoso. “Para mim, é uma honra chegar à Academia até mesmo porque, desde que comecei a trabalhar com a cultura do Maranhão, mantive contato com os literatos da AML, a quem aprendi a admirar e a respeitar”, diz Phelipe Andrès.

Para o imortal, a Casa de Antônio Lobo é um espaço destinado às discussões e reflexões sobre a cultura de uma forma geral, fazendo com que seus membros possam debater, avaliar e propor ações referentes às ações culturais do estado. “Não vejo a Academia só como uma instituição, mas como um espaço aberto ao debate”, pondera Andrès, que, mesmo antes de tomar posse, já vem acompanhando as reuniões semanais da Casa.

Há 36 anos trabalhando em prol da preservação e registro do patrimônio cultural do Maranhão, Phelipe Andrès é mineiro de Juiz de Fora. “Mas sempre me senti adotado pelo Maranhão, um estado que escolhi para viver e ao qual sinto pertencer”, frisa o engenheiro.

Andrès vê a Academia de Letras como um espaço aberto ao que ele chama de “homens de outras letras”, ou seja, pessoas que contribuem com a cultura sem necessariamente ser um escritor de literatura. “Neste sentido, a instituição abriga advogados, médicos e economistas que, cada um em sua área, escreve um pouco da história local”, opina.

Trajetória – Luiz Phelipe de Carvalho Castro Andrès nasceu em 20 de fevereiro de 1949, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Em 1968 mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro, onde residiu até 1977. Lá se graduou na Escola de Engenharia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1972).

Ainda no Rio de Janeiro estudou artes plásticas com Ivan Serpa, no Centro de Pesquisa de Arte, iniciou atividades como ilustrador de livros de ciências do 1º grau para a Companhia Editora Nacional. Trabalhou como artista gráfico para a Revista Engenharia Sanitária nos anos 1974 a 1976 (capas e ilustrações) e realizou trabalhos de artes gráficas para a Secretaria de Divulgação do antigo BNH.

Phelipe Andrès chegou ao Maranhão em março de 1977, onde se radicou e vive até hoje. Dedica-se exclusivamente às atividades na área cultural, notadamente como um dos fundadores do Programa de Preservação e Revitalização do Centro Histórico de São Luís do qual foi coordenador por mais de 27 anos, e do projeto de pesquisas sobre as Embarcações do Maranhão. Foi também criador do Estaleiro Escola do Sítio Tamancão.

Conselheiro – Ocupou, entre os anos de 1993 a 1995, o cargo de secretário de Estado da Cultura e em 2010 assumiu uma cadeira no Conselho Consultivo do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Nesta atividade foi o responsável por emitir pareceres favoráveis aos tombamentos a exemplo do registro da Festa do Divino Espírito Santo da Cidade de Paraty (RJ) e dos conjuntos da Estação Ferroviária de Teresina, Histórico e Paisagístico de Oeiras, Histórico e Paisagístico de Piracuruca e pelo Tombamento das Embarcaçõs Tradicionais do Brasil, entre outros.

É mestre em Desenvolvimento Urbano pela Universidade Federal de Pernambuco (2006). Atualmente é diretor do Centro Vocacional Tecnológico Estaleiro Escola, professor da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas de São Luís do Maranhão e do Curso de Arquitetura da UNDB, atuando principalmente nos temas história, patrimônio cultural, tombamento, monumento nacional e construção naval artesanal.

Seu livro Embarcações do Maranhão: Recuperação das Técnicas Tradicionais Populares de Construção Naval foi publicada por meio do Plano Editorial Documenta Maranhão, pelo Governo do Estado do Maranhão, em convênio com a Unesco e com recursos do Ministério da Cultura, em 1998. Atualmente a edição está esgotada.

Lançou, ano passado, o livro São Luís-Reabilitação do Centro Histórico-Patrimônio da Humanidade, no qual aborda o projeto de revitalização que foi decisivo na concessão, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), do título de Patrimônio Cultural a São Luís, cujos 15 anos foram celebrados ano passado.

Em coautoria escreveu o livro Monumentos Históricos do Maranhão (1979) e colaborou em muitas outras edições com textos publicados em revistas e periódicos especializados, além de livros.

Foi agraciado pelo Ministério da Cultura em 2006 com a comenda da Ordem do Mérito Cultural e com o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. Recebeu a medalha do 4º Centenário de São Luís, Ordem dos Timbiras, Comendador do IV Centenário de São Luís, medalha do Mérito Tamandaré, entre outras.

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