Novo imortal na Academia Maranhense de Letras

\"natalino\"A cerimônia será realizada na Academia Maranhense de Letras, a partir das 20 horas.

Toma posse hoje, às 20h, na cadeira nº 16 da Academia Maranhense de Letras (AML), o médico Natalino Salgado. Eleito em 20 de setembro deste ano, o reitor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e colaborador do jornal O Estado foi escolhido por 28 dos 38 votos válidos.

O novo imortal ocupará a vaga que, antes dele, pertenceu a Domingos Vieira Filho, Paulo Nascimento Moraes e Neiva Moreira, este último falecido em 10 de maio deste ano. A recepção será feita pelo confrade Américo Azevedo Neto e após a posse os convidados serão recepcionados nos jardins do Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM).

Para o imortal, sua chegada à Casa de Antônio Lobo reforça os laços já existentes entre a Universidade e a AML. \”A primeira biblioteca da UFMA surgiu de uma doação feita pela AML. Além disso, muitos de seus membros fazem ou fizeram parte dos quadros da Universidade\”, ressalta Natalino Salgado.

O médico se disse honrado em ingressar na instituição. \”Tenho orgulho em integrar a bancada Hipocrática da Academia, ao lado de nomes como Aquiles Lisboa, Amaral de Matos, Bacelar Portela e outros médicos que fizeram parte daquela instituição\”, frisa.

Para o presidente da AML, Benedito Buzar, a chegada de Natalino Salgado traz um novo ar à instituição. \”Trata-se um intelectual que tem uma vertente intelectual destacada, que contribuirá para o enriquecimento da Academia em seus aspectos culturais e literários\”, opina Buzar.

Trajetória – Natalino Salgado Filho nasceu em Cururupu, em 25 de julho de 1946, em uma família de classe média e de formação católica. Simples, devotado à causa da medicina e sempre lutando em favor de políticas públicas de saúde, o imortal não perdeu o seu ar de homem da Baixada Maranhense. É rodeado pelas lendas que povoam o imaginário da região, como a do touro encantado na Praia dos Lençóis, cuja origem é o mito português do sebastianismo, isto é, a ideia de que o rei D. Sebastião, que sumiu em Marrocos na batalha de Alcácer Quibir, reapareceria no Maranhão para livrar o povo da escravidão.

Salgado estudou no Colégio São Luís, na década de 1960, cursando, em seguida, Medicina na UFMA. Daqui, foi para o Rio de Janeiro fazer residência em Clínica Médica na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em Nefrologia, na UERJ, ao mesmo tempo em que concluía os cursos de especialização em Administração Hospitalar, Imunologia e Didática de Nível Superior. Cursou mestrado e doutorado em Nefrologia na Universidade Federal de São Paulo (1987 e 1994, respectivamente).

Voltou a São Luís após ingressar no quadro de funcionários do Ministério da Saúde por concurso público. Assim, entre 1978 e 1980, chefiou os Serviços de Emergência do Hospital Presidente Dutra e o de Documentação Científica, enquanto liderava o projeto de fundação do Serviço de Nefrologia e inaugurava o primeiro rim artificial das regiões Norte e Nordeste. A sua convicção de tornar o Hospital Presidente Dutra um hospital de referência fez com que ele insistisse em promover a primeira hemodiálise e o primeiro transplante renal, em 18 de março de 2000.

A partir de então, tanto como médico quanto como professor da UFMA, na qual ingressou também por concurso, a sua vida foi marcada por lutas e avanços. Como reitor da UFMA desde 2008, e já no seu segundo mandato, ampliou as vagas de graduação e pós-graduação, expandiu a universidade para os municípios e ampliou os espaços físicos da instituição, entre outras ações.

No campo literário, mantém constante colaboração com a imprensa, especialmente no jornal O Estado, além de escrever artigos em revistas de pesquisa científica. O imortal será o único médico no quadro atual de ocupantes da AML, que já abrigou em seus quadros nomes como Aquiles Lisboa e Bacelar Portela.

Cadeira – A cadeira nº 16 tem como patrono Raimundo da Mota d\’Azevedo Correia. O escritor nasceu em São Luís em 13 de maio de 1859 e morreu em Paris, em 13 de setembro de 1911. Foi juiz e poeta. Estudou no Rio de Janeiro e, em 1882, formou-se advogado pela Faculdade do Largo São Francisco, desenvolvendo uma bem-sucedida carreira como Juiz de Direito no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

Raimundo Correia iniciou a sua carreira poética com o livro Primeiros Sonhos (1879), revelando forte influência dos poetas românticos Fagundes Varela, Casimiro de Abreu e Castro Alves. Em 1883, com o livro Sinfonias, assumiu o Parnasianismo e passa a integrar, ao lado de Alberto de Oliveira e Olavo Bilac, a chamada Tríade Parnasiana.

Escreveu ainda Versos e Versões (1887), Aleluias (1891) e Poesias (1898). Raimundo Correia ocupou a cadeira número 5 da Academia Brasileira de Letras, que tem por patrono Bernardo Guimarães.

Fundação – O fundador da cadeira ocupada por Natalino Salgado, Raimundo Corrêa de Araújo, nasceu na cidade de Pedreiras, a 29 de maio de 1885. Bem moço ainda, viajou para São Luís, onde se radicou, ele morreu em 24 de agosto de 1951.

Foi bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela antiga Faculdade de Direito do Maranhão. Foi diretor da Imprensa Oficial (1918) e, nos períodos de março de 1930 a julho de 1942, e de agosto de 1945 a agosto de 1947, diretor da Biblioteca Pública do Estado. Corrêa de Araújo tinha 23 anos quando participou da fundação da Academia Maranhense de Letras. Escreveu Harpas de Fogo (1903), Evangelho de moço (1906), Pela pátria (1908), Pedreiras (1921), entre outros.

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